Um relatório expedido pela organização Immigration Policy Center (IPC) coloca por terra a teoria de que os imigrantes indocumentados são um fardo para a saúde dos Estados Unidos. Americanos que estão contra a proposta da reforma da saúde, apresentada pelo presidente Barack Obama, temem que os benefícios se estendam a quem não tem documentos legais no país.
O rumor se espalhou país afora e vem preocupando a população americana. Enquanto Obama concedia entrevista ao programa de rádio de Michael Smerconish, na Filadélfia, um ouvinte perguntou se o plano de saúde do governo seria de graça para os imigrantes indocumentados. O presidente chamou o rumor de “pura desinformação”.
Estes e outros mitos que rondam os imigrantes indocumentados e a saúde estão no documento do IPC. Segundo o relatório, não são os imigrantes indocumentados os maiores responsáveis pelos gastos na saúde. De acordo com um artigo do American Journal of Public Health, expedido em julho último, imigrantes sem seguro saúde tem despesas médicas menores do que cidadãos americanos com seguro saúde.
Ainda segundo o relatório do IPC, os chamados imigrantes recentes constituíam 5% da população adulta não idosa dos EUA, e no entanto eram responsáveis por 2% dos custos totais de saúde dos adultos. A maioria das pessoas que não tem seguro saúde nos EUA são cidadãos americanos. Pessoas sem cidadania compreendem uma porção relativamente pequena da população sem seguro saúde, ainda conforme o documento.
De cinco pessoas residentes nos EUA e que não tem seguro saúde, quatro são cidadãos americanos. O grupo também compõe a maioria sem seguro saúde, num total de 78%. Imigrantes com e sem documentos legais e que estão no grupo de não idosos sem seguro saúde totalizam 22%.
Imigrantes indocumentados não lotam salas de emergência
O IPC também mostra que, entre os anos de 2000 e 2006, cresceu o número de cidadãos americanos sem seguro saúde. O crescimento é de cerca de 80% de pessoas sem seguro saúde no país. Já quem não tem cidadania ficou na faixa aproximada de 20% do crescimento.
Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), realizada em 2005, mostrou que os indocumentados do estado eram uma pequena parte da população sem seguro saúde. Ainda conforme a pesquisa, os adultos e crianças sem seguro saúde na Califórnia eram cidadãos americanos e imigrantes documentados.
É muito mais provável que cidadãos americanos usem as salas de emergências do que pessoas sem cidadania, ainda segundo o IPC. O grupo não partidário Kaiser Commission revelou que os não cidadãos recebem menos cuidados primários de saúde do que os cidadãos americanos.
No período de 2006 até o ano passado, 20% dos adultos americanos e 22% das crianças americanas tinham visitado uma sala de emergência. O número contrasta com 13% de adultos sem cidadania e com 12% das crianças sem cidadania. Um estudo publicado no Health Affairs, há 3 anos, revelou que as comunidades com números altos de uso de salas de emergência tinham números baixos de pessoas sem cidadania.
Com grandes populações imigrantes, o Condado de Miami-Dade, na Flórida, e a cidade de Phoenix, no Arizona, provaram que tem as menores taxas de uso de salas de emergência que outras áreas com menor número de imigrantes, como por exemplo a cidade de Cleveland, em Ohio.
Perguntado por Smerconish sobre o atendimento em salas de emergência para imigrantes indocumentados, Obama disse que isto vai continuar. Chamou de “padrão básico de decência” o atendimento para quem está com uma doença grave ou terminal. O presidente disse ainda que não gostaria de ver uma criança indocumentada ter o atendimento negado, o que poderia espalhar uma doença nas escolas ou nos playgrounds.
A proposta de Obama para o sistema de saúde americano é a criação de um plano de saúde do governo. Ele esclareceu que ninguém será obrigado a optar pelo sistema público. “Acho que faria perfeito sentido disponibilizar a opção pública para os empregados federais também. Mas tenha em mente que seria somente uma escolha”, disse o presidente.