Muitas comunidades na Nova Inglaterra e em todo o país estão enfrentando a deterioração dos empréstimos imobiliários concedidos a mutuários de maior risco (subprime) e o aumento nas execuções de hipotecas. Ao tomar o empréstimo, muitos mutuários de financiamentos subprime presumiram que o preço dos imóveis residenciais continuaria subindo e que o refinanciamento seria fácil. Nenhuma das duas premissas se mostrou verdadeira.
Não será fácil solucionar essa situação. Entretanto, uma coisa é clara: o momento de agir é agora. Existem medidas que podem ser tomadas de imediato por muitos de nós – devedores, credores, autoridades e organismos de regulamentação.
Aconselho os mutuários preocupados com as taxas elevadas de seus empréstimos a tomar uma ou mais das seguintes providências: conversar com o administrador de seu empréstimo sobre a possibilidade de ajuste nos pagamentos, verificar com uma agência de aconselhamento residencial suas opções ou consultar um emprestador responsável sobre a possibilidade de refinanciamento. Aconselho também os credores a procurar os mutuários e reexaminar os programas estaduais e federais que poderiam auxiliar a solucionar essas situações.
Diversos tomadores de empréstimos imobiliários classificados como subprime podem se qualificar para um empréstimo mais acessível porque, quando da contratação do empréstimo, contavam com bom histórico de crédito e uma certa margem no valor de seus imóveis em relação à dívida assumida. Entretanto, com o passar do tempo, a queda no preço dos imóveis residenciais está erodindo essa margem e alguns mutuários estão passando por dificuldades financeiras ou acumulando dívidas em função da desaceleração econômica. Essas forças tornam o quadro mais complexo, mas também mostram que o momento de agir é agora.
Uma opção de refinanciamento é o Fundo de Assistência aos Mutuários de Crédito Imobiliário (Mortgage Relief Fund) (www.MortgageReliefFund.com). Com o incentivo do Federal Reserve Bank of Boston, cinco grandes bancos uniram forças para estender a mão aos tomadores de empréstimos com taxas de juros elevadas. Os bancos podem ajudar os tomadores a analisar as opções de refinanciamento com um empréstimo mais acessível – talvez um empréstimo da Secretaria Federal de Habitação dos EUA (FHA - Federal Housing Authority), um empréstimo garantido pelo estado ou um financiamento convencional. Acredito que, nos próximos meses, diversos bancos comunitários se unirão a esse esforço.
Os mutuários que não contam com acesso fácil à Internet podem contatar os bancos participantes do Fundo de Assistência aos Mutuários de Crédito Imobiliário nos seguintes telefones: Bank of America, 800-344-9403; Citizens Bank, 888-411-1145; Sovereign Bank, 800-288-6225; TD Banknorth, 800-281-0025 (ramal 2315); e Webster Bank, 888-681-7788 em Connecticut e 800-635-9191 em Massachusetts ou Rhode Island.
Para qualificarem-se, os mutuários devem comprovar renda compatível com os pagamentos. Devem ter também um histórico de pontualidade nos pagamentos. O valor do financiamento deve ficar dentro de determinados limites em relação ao valor do imóvel.
Os mutuários qualificados podem conseguir economia considerável – centenas de dólares por mês e milhares de dólares por ano. Por exemplo, se a taxa de um novo empréstimo do FHA for de 6% e a taxa do empréstimo subprime original era de 8%, a prestação mensal de um empréstimo de US$ 200.000 seria cerca de US$ 268 menor, gerando uma economia anual superior a US$ 3.200 (ou mais, caso a taxa do empréstimo original tenha sido repactuada em um nível mais elevado). Uma mutuária que já recebeu auxílio estava em risco de perder sua casa. A taxa de seu empréstimo havia subido de 7,4% para 8,9% e estava quase na hora de um novo reajuste. Com um novo empréstimo a taxa fixa, sua economia mensal é de US$ 250.
Estamos cientes de que o refinanciamento não é viável para todos. Mas, mesmo assim, agir agora é importante. Os mutuários em situação difícil devem entrar em contato com as empresas que administram seus empréstimos. O administrador talvez seja capaz de reduzir ou congelar a taxa de juros ou modificar o cronograma de pagamentos para ajudar a evitar a execução. Vale a pena negociar com o administrador mesmo que o mutuário não tenha mais condições de manter seu imóvel, já que a cooperação pode reduzir as custas judiciais e evitar danos ainda maiores ao histórico de crédito.
Os mutuários também podem consultar a Fundação para Preservação da Casa Própria (Homeownership Preservation Foundation), que criou uma linha nacional de atendimento (888-995-4673). As ligações são encaminhadas para orientadores na área do mutuário, que poderão ajudá-lo a avaliar se é viável manter o imóvel e sugerir estratégias e recursos.
Para o bem de nossos vizinhos e de nossa economia, acredito ser do interesse de todos explorar soluções para essa crise, como o Fundo de Assistência aos Mutuários de Crédito Imobiliário. São necessárias diversas providências por parte dos tomadores de empréstimos subprime, dos credores e das autoridades – e o momento de agir é agora.