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Tiago Ruffoni foi uma promessa do tênis. Hoje ele ensina os futuros campeões.Reprodução
Quadra do TR Tennis Center.
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Mesmo não jogando mais no circuito profissional de tênis, onde venceu grandes nomes do atual ranking mundial, um brasileiro ainda brilha no esporte. Morando na Carolina do Sul, Tiago Ruffoni, 29, criou recentemente o TR Tennis Center, onde usa o jeito brasileiro de ser para conquistar os alunos.
Localizado no Shiland Hills Racquet & Swim Club, o TR foi criado por Tiago há cerca de um mês e meio. Com mais de oito anos de experiência como professor e técnico, o brasileiro aplica técnicas destinadas a várias idades e às necessidades individuais de cada aluno.
Tiago falou da época em que frequentava as quadras. Aos 14 anos, na Europa, derrotou os agora famosos Lleyton Hewitt (Austrália) e Roger Federer (Suíça). “Não consegui seguir a carreira como eles seguiram na parte profissional, mas acabei vindo para os Estados Unidos”, disse o gaúcho de Porto Alegre (RS), que chegou a figurar no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP).
Durante quatro anos, jogou pela Universidade de Auburn, Alabama, onde se formou em administração. Depois de passar um tempo no Brasil, acabou voltando e se tornou assistente técnico da Universidade de Winthrop em Rock Hill, cidade onde está o TR. A falta de patrocínio foi um dos fatores que levou Tiago a deixar a profissionalização. “O tênis exige muito dinheiro para poder viajar e competir”.
Outro motivo foi uma lesão no cotovelo e a posterior cirurgia, afastando-o das quadras. “Para voltar eu não tinha cabeça e o braço também já não era o mesmo”. Embora não tenha realizado o sonho de criança, Tiago não sente frustração. “De maneira alguma. Foi através do tênis que consegui vir para os Estados Unidos, consegui uma bolsa de estudos. Tenho só a agradecer o que o tênis me proporcionou até agora”.
Ambiente de descontração
Ruffoni começou a jogar aos 5 anos de idade. Apelidado de “Tiaguinho”, mata as saudades jogando no Clube do Comércio, na capital gaúcha, onde iniciou a carreira. No ano de 1994, derrotaria Federer por 6/0 e 6/2 no torneio de Waregem, na Bélgica. Ganhou de Hewitt por 7/5 e 6/4 em um torneio na Suíça. Considerado o melhor tenista gaúcho dos 10, 12, 14 e 16 anos, carrega ainda no currículo várias vitórias na Copa Gerdau.
Empolgado com o novo desafio, Tiago não tem alunos brasileiros.
Trabalhando sozinho neste início, pretende no futuro contratar alguém para dar um suporte. Os treinos ganham um diferencial. “Uma coisa mais informal, mais relaxada, mais latina. Tentar acolher mais a pessoa, não ficar aquela coisa tão fria que muitos americanos gostam, do individualismo”.
A forma diferente com que Tiago trabalha não está passando despercebida. Segundo ele, os alunos gostam de ter um professor que realmente deseja a melhora deles. “Uma relação mais humana, isto que acho que o brasileiro traz mais. Estamos realmente preocupados com a pessoa”. A flexibilidade no horário também deixa os treinos mais relaxados.
Tiago pensa em formar profissionais, porém o que ele diz que mais gosta de pensar é no esporte como forma de ajudar as pessoas a amadurecer para enfrentar melhor a vida. Segundo ele, as crianças precisam de muito investimento na parte psicológica. As idades dos alunos de Tiago variam. “De 5, 6 anos até 87 anos”.
Os planos a médio prazo incluem a organização de um evento para divulgar mais o tênis entre a comunidade brasileira.