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Apelo feito por diversas entidades e até de políticos do Canadá não impediram a deportação da família Prado para o Brasil.
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Toda a mobilização feita em torno do caso da família Prado, que residiu por nove anos no Canadá, não comoveu as autoridades imigratórias do país. José, Isabel e Marcela do Prado embarcaram forçadamente para o Brasil, no dia 3 último. A política Irene Mathyssen continua lutando para que os brasileiros voltem ao país.
Os Prado estavam há nove anos na cidade de London, província de Ontário. Ex-motoboy no Brasil, José foi em busca de uma vida melhor e de mais segurança para a família. Com a residência permanente negada, pai, mãe e filha foram mandados de volta ao Brasil. A comunidade de London, com o apoio de Mathyssen, iniciou uma verdadeira campanha para a permanência dos brasileiros, mesmo antes da deportação deles.
A parlamentar, que é membro do New Democratic Party (NDP, na sigla em inglês), disse por e-mail ao Comunidade News que está em contato com o advogado de imigração Michael Loebach. Ele considera duas possibilidades para levar os brasileiros de volta.
Na primeira, os Prado aplicariam para um Visto Empresarial, comprovando recursos financeiros necessários para começar um negócio que empregaria outras pessoas e beneficiaria a comunidade. A segunda possibilidade é aplicar para o visto do Skilled Worker Program (Programa do Trabalhador Especializado, em tradução livre). Segundo Mathyssen, o Canadá dá as boas-vindas aos trabalhadores estrangeiros que suprem funções onde há poucos canadenses especializados.
A Lei C-50, recentemente aprovada, considera somente estes tipos de trabalhadores. No caso da família Prado, a Ministra da Cidadania e Imigração, Diane Finley, deveria ter considerado razões humanitárias, levando em conta a dificuldade para José conseguir emprego no Brasil, além dos problemas que Marcela, a filha do casal, enfrentaria no sistema escolar brasileiro. A menina não fala português.
Sistema quebrado
Segundo Mathyssen, o sistema imigratório do Canadá está quebrado, a exemplo dos Estados Unidos. A nova lei dá poderes para Finley decidir quem pode entrar no Canadá. Mesmo quem atender os requisitos poderá ter o visto negado, conforme Mathyssen. A desculpa apresentada pelo governo canadense é de que as novas regras acelerariam os processos de aplicação. “Está claro que se a ministra quisesse acelerar o processo, ela contrataria mais pessoas para revisar as aplicações”, afirmou Mathyssen.
Ainda de acordo com a política, tanto o governo anterior quanto o atual reduziram o quadro de funcionários do serviço de Cidadania e Imigração e das embaixadas canadenses. Para o NDP, a mudança na lei seria para permitir a entrada de mais trabalhadores temporários, com contratos de curto prazo. “Evidentemente que se precisamos de mais trabalhadores, eles deveriam entrar no país com a oportunidade de permanecer no Canadá e de se tornar cidadãos”.
Mathyssen já lutou por vários imigrantes. Disse que enfrentou outras situações de luta contra deportação, mas o imigrantes não eram brasileiros. “Tivemos uma deportação para a Guatemala. Conseguimos enviar informações para as autoridades daquele país e o imigrante teve a oportunidade de voltar para o Canadá. Penso que ele decidiu ficar na Guatemala com a esposa”.
A família brasileira está recebendo apoio através do site www.dopradofamily.com.