Depois de seis meses como voluntário na África, através do Instituto para Desenvolvimento e Cooperação Internacional (IICD, em inglês), Luis Oliveira, 36, faz um balanço da missão. O gosto pelo trabalho voluntário deve ser levado ao Brasil, onde pretende continuar a desenvolver projetos comunitários.
Luis, Graziella Vaz, 25, e Paulo Garcia, 23, foram a Moçambique como trabalhar com projetos educacionais. Graziella e Paulo ficaram a cargo de educação infantil e Luis treinou professores em Chimoio, importante cidade da região central do país. A missão, realizada de maio a novembro de 2009, acabou ganhando destaque de forma involuntária.
Segundo Luis, a confiança dos nativos precisou ser conquistada aos poucos. Mas eles acabaram se rendendo e mostrando a tradicional receptividade dos moçambicanos para com o povo brasileiro. “Na visão deles, o Brasil tem de tudo”, disse.
Por pensarem desta forma, ficavam espantados ao verem três jovens brasileiros voluntariando em um país tão carente de tudo. Alguns achavam que se tratava de mero turismo, segundo Luis, mas logo viram que o trabalho era sério.
Muitas idéias que se tem do povo africano foram desmistificadas por Luis. Segundo ele, a pobreza extrema, bem maior do que a brasileira, contrasta com o eterno sorriso e alegria do povo. “Não tem quase nenhum conforto, mas estão sempre dançando. A gente vai esperando ver uns ‘coitadinhos’, mas vê pessoas fazendo o que podem no meio da diversidade”.
Pobreza da África enriqueceu os brasileiros
A missão superou as expectativas para Luis, que enfrentou uma sala de aula com cerca de 40 alunos, auxiliando-os na língua portuguesa. Um recenseamento realizado em 1997 constatou que somente 6% da população tem o português como língua materna. As maiores dificuldades estão na ortografia e na gramática. A resposta dada pelos nativos mostrou a Luis a vontade dos moçambicanos em aprender a língua portuguesa.
Paulo também classificou a experiência de maravilhosa. “Me apaixonei por aquelas crianças”, disse ele, que voltará ao Brasil mais motivado do que nunca. “Por mais simples que eles [os moçambicanos] sejam, enriqueceram minha vida”.
Antiga colônia de Portugal, Moçambique se tornou independente em 1975. Com cerca de 21 milhões de habitantes, o país enfrenta sérios desafios na área educacional. O mesmo acontece na luta contra o vírus HIV e a AIDS. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP, em inglês), vai disponibilizar $1 milhão para ajudar a reduzir os índices de infecção pelo vírus.
Agora que a missão foi cumprida, Luis quer aplicar o aprendizado no Brasil, através da organização Humana, a qual tem uma parceria com o IICD. Para isso, pretende passar um mês na Bahia, estado onde a Humana mantém os projetos.
Os brasileiros ficam nos Estados Unidos até maio próximo. Pretendem trabalhar e vivenciar mais a cultura americana. Quando voltaram da África, compartilharam as experiências com outros voluntários do IICD em Massachusetts, através de aulas e palestras.