O programa New York Um Sonho brasileiro foi ao ar pela primeira vez em 1990, pela TV Poços de Caldas, Minas Gerais, fruto de uma idéia do jornalista Walter Alvarenga, que em visita aos Estados Unidos percebeu que a realidade dos imigrantes brasileiros era diferente do que era divulgada no Brasil. O programa completou 14 anos no último dia 19 de agosto, quando ele se preparava para mais uma viagem aos EUA, com o objetivo de cobrir a festa do Brazilian Day e entrevistar vários brasileiros. Walter conta que o momento mais emocionante do programa aconteceu no aeroporto de Danbury quando tentava reconstituir o roubo de um avião praticado pelo mineiro Philipe Patrício e foi cercado por mais de 10 carros de polícia quando tentava gravar. O jornalista conta que parecia cena de cinema, mas que depois de se identificarem foram liberados. Walter Alvarenga informa que fez outras entrevistas na cidade, dentre elas, com os brasileiros que moram do lado do cemitério na Wooster Street e observam coisas estranhas acontecerem dentro de casa. Alvarenga retorna ao Brasil no dia 6 de setembro, levando material para a produção do programa que irá ao ar no mês de outubro. Ele disse que no início do ano, após o lançamento da novela América, a repercussão do seu programa foi muito grande, e que isso lhe rendeu um convite para uma audiência pública na Câmara dos Deputados, promovida pela Comissão de Direitos Humanos no dia 31 de março, que teve como tema: “Travessia Mortal - Imigrantes Brasileiros que Buscam na América uma Nova Vida e Encontram a Morte”. Walter Alvarenga, da TV Poços (MG), foi ouvido pelos deputados e disse que promove debates freqüentes em seu programa e mostra cenas que revelam a situação dos imigrantes ilegais nos EUA. Na ocasião, o jornalista também exibiu dois vídeos que trazem relatos sobre a dificuldade da travessia ilegal e a realidade enfrentada pelos imigrantes. Poços de Caldas, sede da emissora, é o segundo município brasileiro que mais envia brasileiros para os Estados Unidos. “Na minha cidade existe o mito de que os EUA é o país dos sonhos. Percebi que a maioria dos imigrantes eram vazios espiritualmente porque se compensava pelo lado material, faltava a família. Deixei de ir para passeios turísticos e comecei a perceber que aquilo tinha que ser mostrado e que a imagem que se passava dos imigrantes era uma mentira”, destacou. A idéia Walter Alvarenga conta que sua primeira viagem aos EUA ao invés de ser turística acabou sendo a semente da idéia de um programa de televisão que destacasse a imigração brasileira aos EUA e que junto com o amigo Valter Canhedo, que já tinha trabalhado na TV Poços de Caldas, começou a gravar o piloto do programa. Quando retornou ao Brasil o jornalista conta que mostrou as entrevistas para o editor da Rede Minas, emissora na qual já trabalhava fazendo comentário de cinema num telejornal. “Mostrei o video e eles resolveram montar o programa. A estréia foi um sucesso e depois disso nunca mais parei. Todo ano eu juntava recursos próprios e abria mãos de passeios para economizar dinheiro para ir aos Estados Unidos”. Ele destaca a parceria com o cinegrafista Sérgio Silva que começou a trabalhar com ele no final do ano passado. O cinegrafista está há 6 anos nos Estados Unidos, natural de Machado, MG e tanto ele como o seu pai já tinham sidos entrevistados pelo jornalista. Ele conta que ano passado uma coincidência os aproximou. “ Fui passar o Natal na casa da irmã do Walter e ele estava precisando de um cinegrafista para gravar imagens para o programa porque o camera man que sempre o acompanha nos EUA estava com outros compromissos de trabalho. Foi uma feliz coincidência, digo que foi uma benção de Deus”. O programa foi ao ar coincidentemente no mesmo período da estréia da novela América e trouxe o assunto para a pauta nacional. O jornalista conta que as imagens do programa foram parar em Brasília, na Comissão de Direitos Humanos e tomou uma dimensão muito grande, não em valores monetários mas da proposta da idéia do programa. “Nem sempre uma idéia é reconhecida monetariamente, tem que ter garra, esforço. Acho que exitia uma lacuna na maneira como os correspondentes internacionais tratavam o tema, porque o assunto é mais profundo”, explicou. Com irmã residindo nos Estados Unidos há mais de 10 anos, ele disse que compartilha do sentimento dos imigrantes que estão aqui. “Fui entrevistar rapazes de Poços de Caldas e um deles disse que ia dar um alô para os pais, mas depois se trancou no quarto e se recusou. Fui verificar o que estava acontecendo e o vi chorando compulsivamente, quando me revelou que estava com muitas saudades dos pais. O convenci a dar a entrevista e ele deu um sorriso e disse aos pais que estava muito feliz aqui. Não tem como não se emocionar com isso”. Ele diz que os imigrantes que moram no exterior funcionam como multinacionais, que trabalham honestamente, cumprem com o seu papel e ajudam a contruir o Brasil. O jornalista conta que assim como todo imigrante, pensou em morar nos EUA, mas mudou de idéia após ouvir a frase de um amigo que o marcou. “Você tem que voltar para o Brasil porque ele precisa muito de você”. Ele disse que hoje entende que o Brasil precisa que ele mostre as autoridades que o imigrante precisa de atenção. Ele explica que o programa de televisão deu uma repercussão tão grande que foi convidado a fazer um programa de Rádio como o mesmo nome que há seis meses entrou no ar na Rádio Difusora AM. O programa conecta famílias de imigrantes ao redor do mundo e tem tido uma grande participação dos ouvintes, sendo apresentado todos os sábados, e está disponível também na internet através do site www.difusorapocos.com.br.
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