Danbury, CT - Wednesday, May 23 2012
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Sentença de Girlene será anunciada esta semana

Caso seja condenada por homicídio ela pode cumprir uma pena que vai de 60 anos à prisão perpétua

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Depois de ser ouvidos depoimentos de policiais, peritos e legistas que examinaram o corpo e o local do crime, testemunhas e até da psicóloga que analisou o estado mental da valadarense Girlene Soares na época em que foi presa, o júri se prepara para dar o veredicto final na próxima quarta-feira. Ela é acusada de ter matado o marido, José Luiz da Silva Oliveira, 31 anos, com uma facada no peito na madrugada do dia cinco de julho de 2004 no apartamento 13 da Keeler Street em Danbury. A advogada de defesa de Girlene,Vicki Hutchinson, quer convencer os 12 jurados de que ela sofreu sérios traumas psicólogicos durante sua vida, o que pode ter provocado um estado de confusão mental e medo, que pode tê-la induzido a defender-se do marido com uma faca naquela noite.O crime da “Keeler Street” tem chamado cada vez mais a atenção da mídia americana e diariamente o jornal local News Times relata com detalhes os últimos acontecimentos do caso. O Crime Girlene em seu depoimento relatou toda a sua vida desde que conheceu o marido José Luis até o dia do crime, descrevendo com detalhes sua vida de pobreza e agressões no Brasil e a decisão de vir para os Estados Unidos atravessando a fronteira do México para reencontrá-lo. Mas a defesa enfatizou os 10 dias que antecederam o crime, que foram regados à cocaína, bebida e agressões pelo casal. A valadarense disse que o marido cada dia mais a agredia e que depois de bater no seu rosto até que seu olhos ficassem roxos e sua boca sangrasse, ele a forçava a fazer sexo com ela. Ela disse ainda que costumava usar cocaína algumas noites para se manter acordada por medo de que ele tentasse matá-la enquanto dormia. Girlene relatou que na noite do crime o marido estava irritado porque queria dinheiro para comprar drogas e que não a deixou dormir, dando-lhe tapas. Em um dado momento ela decidiu se levantar para ir se trancar no banheiro, para ver se assim conseguia dormir um pouco e que neste momento viu a faca sobre a mesa do quarto. “Decidi pegá-la para guardá-la na cozinha temendo que ele a usasse contra mim, mas neste momento ele me agarrou por trás, perguntando aonde eu ia, e quando eu me virei em sua direção ele veio em cima de mim. O quarto estava escuro e eu não sabia que o tinha ferido”. A promotora Debbie Mabbett insinuou que ela demorou quase cinco horas para se entregar à polícia porque ela estava inventando uma história para falar. Mas Girlene se irriou com aquela afirmação e disse que a maior parte daquele tempo não sabia que o marido estava morto, pois saiu correndo pelas ruas em busca de socorro na casa de amigos. “Eu não sou um criminosa”, disse. Trauma Na última sexta-feira (27) a psicóloga Wendy Levy, depôs na Corte e relatou que antes de Girlene Soares conhecer seu marido e engravidar dele aos 14 anos de idade, a vida dela já estava cheia de eventos traumáticos. O depoimento por escrito de Girlene foi exibido no mesmo dia com a intenção de convencer os jurados que ela matou o marido porque este era o único modo para terminar anos de abuso e ameaças contra sua vida. A psicóloga disse que o fato de Soares dormir pouco por temer que o marido a agredisse à noite afetou a habilidade dela para lidar com ameaças. A privação de sono, combinada com medo, ansiedade e sintomas de desordem de tensão pós-traumáticos, criaria confusão mental que dificultaria ela pensar claramente. Ela disse ainda que, controle, intimidação, violência, isolamento e coerção estavam presentes na relação de Soares com o marido. Wendy Levy explicou que Girlene vivia isolada da família e de qualquer outro apoio emocional quando morava no Brasil com o marido. A psicóloga explicou que Soares cresceu em uma cidade pobre e viveu com cinco irmãos, a mãe e um pai ausente e que ainda criança suportou a morte de um irmão, do pai dela e um avô. Segundo Levy, após anos de agressões ao lado do marido e da falta da família, já que o marido era seu único suporte emocional, foram provocados nela sintomas de desordem de tensão pós-traumática e que nessas condições a pessoa fica ansiosa e facilmente assustada. O juiz Robert Callahan e um júri popular composto de 12 americanos decidirão nesta semana qual a sentença que Girlene Soares cumprirá na prisão pelo crime.

Por: Liliane Pólvora
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