Com o objetivo de se aproximar da comunidade imigrante, a cidade de Yarmouth, Massachusetts, iniciou o evento intitulado “Celebrating Our Immigrant Communities”. A celebração encerra na quarta-feira (15) e contou com a participação da comissão local de direitos humanos.
Segundo o Cape Cod Times, o evento abriu com um piquenique na Reserva de Waquoit Bay em Falmouth. Com a colaboração de líderes brasileiros e da Comissão de Direitos Humanos do Condado de Barnstable a polícia realizou um open house para os imigrantes na delegacia de West Yarmouth.
Vários eventos foram patrocinados pelo Centro do Imigrante de Cape Cod, pelo grupo No Place to Hate e pela comissão de direitos humanos. Na opinião da brasileira Connie Souza, membro do Serviço Social Católico de Hyannis, a polícia está tentando entender a cultura brasileira e ensinar nosso povo a respeito da cultura americana, bem como mostrar o que é o trabalho dela.
Para Jacqueline Fields, presidente do painel de direitos humanos, o evento é um dos mais animados já ocorridos em Cape Cod. Ainda segundo ela, Cape Cod pode se tornar “uma região metropolitana onde a diversidade é apreciada” a partir da celebração anual dos imigrantes, pelo segundo ano.
Conquistando a confiança dos imigrantes
Segundo o Chefe de Polícia de Yarmouth, Michael Almonte, o principal objetivo é que a comunidade imigrante e os policiais se conheçam mais. A preocupação de Almonte faz sentido. Desde a morte do paranaense André Martins, 25, durante uma perseguição policial ocorrida há quase um ano, os imigrantes ficaram divididos quanto ao verdadeiro trabalho da polícia.
O brasileiro foi morto a tiros pelo policial Christopher Van Ness. A investigação concluiu que o policial teve razão em atirar por temer pela própria vida. A morte de André causou grande repercussão tanto nos EUA quanto no Brasil.
Ainda segundo o chefe de polícia, o ano passado foi marcado por reuniões realizadas quase todos os meses entre a comunidade brasileira, a comissão de direitos humanos e a polícia de Yarmouth, os quais culminaram com o open house.
Depois da trágica morte do brasileiro, Almonte fixou quatro objetivos: melhorar a comunicação entre os imigrantes e a polícia, levar pelo menos um brasileiro para conhecer a academia de polícia, desenvolver um panfleto em português explicando os direitos dos imigrantes e abrir as portas para a comunidade.
“O que me motivou a fazer isto foi quando ouvi que uma comunidade local e de outras cidades temiam a polícia de Yarmouth”, disse Almonte, que está satisfeito com o trabalho feito no ano passado, mas acha que ainda é preciso mais.
Outros folhetos multilingues serão emitidos abordando assuntos como violência doméstica, vigilância sobre o crime e dicas do que fazer quando alguém é vítima de um crime. Apesar de muitos imigrantes ainda terem medo da polícia, os defensores dos imigrantes acreditam que as iniciativas da polícia de Yarmouth caminham na direção certa.