A diretora executiva e fundadora da ONG Cidadão Global (www.cidadaoglobal.org), Ramona Ortega, 34, está à frente de mais uma importante missão. Além de continuar trabalhando e lutando pelos imigrantes, a líder se prepara para treinar brasileiros que possam dar continuidade ao trabalho da organização.
Ortega declarou ao jornal New York Daily News, que deseja treinar brasileiros para serem os líderes de amanhã na cidade de Nova Iorque, onde está situada a organização. Estima-se que a população brasileira da Big Apple esteja entre 100.000 e 300.000 pessoas.
Paralelo à importante missão, Ramona carrega a preocupação de saber o exato número de brasileiros residentes na cidade. Na opinião dela, os dados quantitativos e qualitativos destas pessoas vão ajudar no desenvolvimento de novos projetos. Quando trabalhou como pesquisadora e analista política do grupo Manpower Demonstration Research Corp. (MDRC), Ramona realizou um trabalho semelhante.
Nascida em San Francisco, Califórnia, e filha de mexicanos trabalhadores das fazendas, Ramona herdou dos pais o espírito de luta. Os dois participaram ativamente do movimento trabalhista. Da infância como ajudante da mãe em limpeza de casas, a filha de imigrantes se formou em inglês e trabalhou como jornalista. Tão batalhadora quanto os pais, trabalhou como diretora do Projeto de Direitos Humanos do Centro de Justiça Urbana em Nova Iorque.
Nesta primavera, a Cidadão Global deve lançar oficialmente uma cooperativa para domésticas brasileiras. “Muitas mulheres brasileiras não possuem um lugar para interagir com outras mulheres exceto um bar ou numa festa, e sim num lugar para expandir suas vidas”, afirmou Ramona.
Conhecendo o sistema
Este é somente um dos projetos da ONG, fundada no verão de 2007. No ano seguinte à fundação, a organização enviou membros para Genebra, Suíça, no Comitê para a Eliminação Racial. Representantes da Cidadão Global também estiveram em Brasília, em conferências para os direitos humanos. Atualmente, a ONG trabalha com um demógrafo de Boston numa pesquisa sobre a comunidade brasileira em Nova Iorque.
Ensinar a língua inglesa também é uma das preocupações da organização. Por isso, aulas nos escritórios da Cidadão Global, situados em Astória e em Manhattan. Muito mais do que regras gramaticais, o curso ensina como funciona o sistema da cidade de Nova Iorque. “Porque você não pode ser um cidadão produtivo até saber como a cidade funciona”.
A Cidadão Global nasceu depois que amigos do marido de Ramona, um imigrante brasileiro, começaram a pedir ajuda para ela em vários assuntos. A líder comunitária então se deu conta da necessidade de uma organização maior, na luta pela comunidade brasileira.