A busca pelo sonho americano terminou de forma trágica para dois brasileiros. Juliard Aires Fernandes, 19, e Hermínio Cardoso dos Santos, 24, estavam entre os 74 imigrantes brutalmente mortos numa chacina no estado mexicano de Tamaulipas. Os dois eram mineiros. Juliard enlutou parentes que moram em Danbury e Waterbury, em Connecticut.
Reinaldo Aires de Almeida, primo de Juliard, disse que ele iria morar com ele em Danbury, CT. “Eu já havia reservado um lugar na casa onde iria ficar. Ele plantava eucalipto para mim no Brasil, era um bom rapaz”, disse ele, sobre o primo morto. Todos estão chocados e muito tristes com a morte de Juliard. Foi pela televisão que os parentes do mineiro ficaram sabendo da morte dele.
Assim que souberam da chacina, os familiares de Juliard trocaram telefonemas preocupados, pois sabiam que Juliard estava naquela região tentando entrar nos EUA. Mesmo preocupados, mantinham a fé de que ele não estivesse entre os mortos. O pai de Juliard não consegue aceitar que o filho tenha morrido. “Nunca pensou que isto fosse acontecer”, disse a tia do mineiro, que vai embora para o Brasil no final do ano.
Ronaldo de Almeida, irmão de Juliard, mora em Waterbury e disse que alimentava a esperança de que o irmão estivesse vivo. A confirmação da morte veio através da notícia na televisão.
Sonhos transformados em tragédia
Segundo Sandra, esposa de Ronaldo, ele estava bastante animado para viver nos Estados Unidos. Foi ela quem ajudou o Itamarati a identificar o corpo de Herminio, através de foto. Os dois brasileiros eram naturais de Sardoá, na região do Vale do Rio Doce, de onde saíram no dia 3 de agosto para tentar a vida nos EUA. Sandra disse que durante quase um mês em que esteve fora, Juliard se comunicava com a família no Brasil, mas ela não soube dizer se ele havia reclamado de alguma coisa.
Durante as várias ligações que fez para o Itamarati e para a Embaixada do Brasil no México, Sandra recebeu a informação de que eles teriam sofrido muito, sem no entanto dar detalhes do que isso significava.
De acordo com informações da mídia brasileira, Herminio já havia sido expulso da Itália no ano de 2006. Por esta razão, foi deportado de Portugal em junho último. Maria Cardoso dos Santos, mãe dele, disse que ele tinha muitos planos. Antes de partir, Juliard prometeu trazer o primo, Carlos Enio Aires Coelho, 14, aos Estados Unidos, assim que ele completasse 18 anos. O mineiro sonhava em comprar casa e carro no Brasil.
A matança aconteceu na terça-feira (24). Os imigrantes foram interceptados em um rancho que seria de propriedade do cartel de narcotraficantes Los Zetas. Os imigrantes teriam sido mortos por rejeitarem a oferta para trabalharem como assassinos. Diplomatas do Brasil, Equador, Honduras e El Salvador chegaram ao México na quinta-feira (26) a fim de auxiliar na identificação dos corpos.
Segundo as autoridades mexicanas, até a segunda-feira (30) haviam sido identificados 31 corpos. De acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça do México, 14 eram de Honduras, 12 de El Salvador e quatro da Guatemala. Somando-se aos brasileiros, o número atinge 33.
A chacina deixou um único sobrevivente. O equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla, 18, fingiu que estava morto e avisou as autoridades sobre a chacina. Ele recebeu alta do hospital e já deixou o México, com a autorização do governo local. O subsecretário de Assuntos Consulares da Chancelaria de Quito, Leonardo Carrión, informou que o sobrevivente está em um hospital da marinha, mas o local não foi revelado. Os pais de Freddy moram em New Jersey.