A brasileira Ana Amélia Santos Cuoco está cumprindo pena no presídio estadual de Cambridge Springs (PA). Ela é acusada de matar o próprio bebê, há dois anos, quando trabalhava como au pair para uma família americana.
Segundo o Promotor Fran Chardo, responsável pelo caso, a sentença da acusada expira em 9 de agosto de 2033, mas ela poderá alcançar a liberdade condicional no dia 9 de agosto de 2020. Chardo não soube dizer se Ana Amélia tem recebido visitas ou como está se comportando, ou mesmo lidando com a situação.
Ana Amélia admitiu a culpa na morte do bebê por asfixia. A criança nasceu no dia 7 de agosto de 2008, no basement da residência onde a brasileira trabalhava e morava. Ela estava sozinha no momento do parto. A então au pair cortou o cordão umbilical com uma tesoura, enrolou o recém-nascido numa toalha, colocou-o numa sacola e guardou-o em um closet.
Durante a audiência final, Ana Amélia chorou o tempo inteiro. Os pais, Lineu e Elisete Cuoco, ouviram o veredito através de um tradutor. Os pais disseram que a filha era “o orgulho e a alegria deles”. Ao falar na cliente, a defensora pública Elisabeth Pasqualini também chorou. Segundo ela, Ana pensava todos os dias que poderia ter feito de diferente. “Todas as noites ela deita e sonha com o bebê. Será punida a cada dia pelo resto da vida dela”, disse a defensora pública.
A acusada não pegou prisão perpétua graças a um acordo com a promotoria. Ao admitir a culpa de assassinato em terceiro grau, Ana Amélia pegou a pena mínima de 10 a 20 anos de prisão. Não fosse o acordo, seria acusada de assassinato em primeiro grau, e passaria o resto da vida na cadeia.
Medo
Ângelo Carbone, advogado brasileiro que acompanhava o caso, declarou à época que Ana não deveria ter aceito o acordo, e tachou a pena de excessiva. Ele entrou com um processo no Ministério da Justiça Brasileiro, a fim de tentar a extradição da brasileira. Na opinião dele, Ana Amélia enfrentou sozinha uma depressão pós-parto no estado puerperal.
Depois de dar à luz, a ex-au pair tentou limpar o sangue do parto. Ela escondeu a gravidez dos patrões o tempo inteiro por medo de ser excluída do programa. Ana era contratada pela Au Pair Care. Uma das normas da agência é não contratar jovens grávidas para realizar o intercâmbio.
O nascimento do bebê foi descoberto por uma das crianças das quais Ana Amélia tomava conta, quando ela desceu para desejar feliz aniversário à brasileira. A intercambista temia ser mandada de volta para o Brasil, por isso ocultou a gravidez. A investigação encontrou relatórios médicos entre os pertences de Ana Amélia, indicando que ela sabia que estava grávida, quando veio para os Estados Unidos.
Depois do cumprimento da pena, Ana Amélia dos Santos Cuoco deve ser deportada.