Detalhes do processo contra o empresário Joseph DaSilva Jr., 50, foi revelada na terça-feira (16), na Suprema Corte em Danbury, Connecticut. O documento de 13 páginas revela detalhes que supostamente envolvem o conhecido empresário na morte do imigrante equatoriano Luis Gerardo Escalada Bueno, 42.
Segundo o jornal The News Times, consta no mandado de prisão que o comerciante ficou irritado ao encontrar três pessoas bebendo num apartamento de propriedade dele, que estava desocupado. Ainda segundo o documento, DaSilva teria empurrado dois homens escada abaixo. A vítima fatal teria sido empurrada em seguida, de acordo com o mandado de prisão.
De acordo com a polícia, Luis Gerardo estava muito embriagado, tanto que provavelmente, sem condições de manter o equilíbrio, caiu nas escadas. O resultado foi o fígado dilacerado e diversos ferimentos internos que culminaram com a morte dele, horas depois, no hospital local. Segundo os investigadores, o nível de álcool no sangue de Luis Gerardo era de 0.381, o que significa mais do que quatro vezes a quantidade de álcool para uma pessoa ser acusada de D.U.I. – dirigir embriagado.
Questionado por detetives no dia 6 de novembro, data em que o equatoriano faleceu, DaSilva negou ter estado no apartamento. Mas Rolando DaSilva, funcionário do empresário, deu outra versão. “Eu vi o Joe entrando no apartamento e botando pessoas para fora.”, disse ele. Apesar do mesmo sobrenome, Rolando não tem parentesco com o patrão. Ainda segundo o homem, DaSilva gritava. “Fora da minha casa. O Joe estava agarrando os homens e empurrando-os escada abaixo”.
Preso no dia 29 de janeiro último e solto mediante pagamento de $100,000 de fiança, DaSilva se declarou inocente no dia 9 de fevereiro das acusações de homicídio culposo (sem intenção de matar) em primeiro grau, ataque em primeiro grau e duas acusações de ataque em terceiro grau. A próxima audiência do empresário está agendada para o dia 3 de março.
Defesa contesta documento
Para Eugene Riccio, advogado do acusado, existe somente um lado da história relatado no documento. “Normalmente não incluem as circunstâncias completas do incidente”, disse ele, sobre os mandados de prisão. Ainda segundo o advogado, estes tipos de documentos são por definição acusatórios. Ele não quis comentar porque seu cliente teria supostamente mentido, quando afirmou não ter estado no apartamento, segundo consta no mandado de prisão.
De acordo com o documento, o imigrante morto tinha no bolso 36 centavos americanos, 5 cigarros e um telefone celular. Um dos amigos repetiu as palavras de Luis Gerardo para a polícia. “Silva me bateu”. O inquilino do primeiro andar contou à polícia que falou com Denise Archiere, gerente do escritório de DaSilva, reclamando que havia água escorrendo no basement.
“Disse a Denise que se havia água escorrendo no basement, tinha que ter alguém no segundo andar”, disse Rolando DaSilva. Ele foi comunicado por Denise sobre o problema. Segundo a polícia, o empresário acusado já estava no apartamento quando Rolando, que realiza consertos, chegou ao local. Segundo ele, DaSilva pediu-lhe que ficasse fora do caminho dele. “Vi o Joe entrar no apartamento e começar a enxotar as pessoas”.
Rolando disse que não viu o empresário dar socos em ninguém, e confidenciou que tinha medo de ser demitido, por isso mentiu na primeira vez que foi interrogado. Ele afirmou que ainda trabalha para DaSilva.
Empresário foi visto por testemunhas
Quatro homens que estiveram com a vítima no dia do crime falaram com a polícia. Por segurança, os nomes estão sendo preservados. A testemunha número 1 disse que foi convidada por amigos para beber num apartamento, o qual estaria localizado na Town Hill e estaria alugado por um deles. O homem disse ainda que passou a noite no local. Segundo ele, um dos companheiros, identificado como “Angel”, precisou ser levado ao hospital por ter bebido demais.Dois outros homens, que também teriam passado a noite no apartamento, saíram para comprar algo para comer.
Quando a primeira testemunha acordou, viu DaSilva agarrar um dos companheiros pelo pescoço e ordená-lo a sair do imóvel. A testemunha reconheceu o empresário, pois trabalha num restaurante próximo ao escritório dele, na Main Street. Ainda conforme a testemunha, DaSilva chutou suas costas enquanto ele corria pelas escadas.
Mais tarde, a testemunha falou com outro homem, o qual alega ter visto o empresário efetuando agressões no apartamento. Ao verificarem como estava Luis Gerardo, encontraram o imigrante no chão, próximo a um latão de lixo na entrada do estacionamento. Segundo a polícia, a vítima gritava e gemia de dor.
Procurado pela polícia no mesmo dia, a qual disse que investigava uma queixa de que o empresário havia agredido dois homens no apartamento, o acusado não confirmou o fato. “DaSilva simplesmente sorriu e disse ‘O que você quer que eu diga?’”, disse o Detetive Daniel Trompetta. A investigação perguntou ainda se o empresário estaria somente se defendendo dos dois homens. “Não, eu não estava lá”, respondeu DaSilva.
Segundo declaração do acusado à polícia, a última vez em que ele esteve no endereço foi há cerca de um mês antes do ocorrido. À ocasião, DaSilva teria colocado para fora vários homens que teriam invadido o local, segundo a versão dele para a polícia.