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Gustavo Rezende morava desde os 8 anos nos EUA. Situação imigratória pode ter sido a causa do suicídio.Reprodução
Amigos de Gustavo pintaram uma pedra em homenagem ao amigo.
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Foi enterrado em Marlboro, Massachusetts, na segunda-feira (8), às 11h30am, o corpo do jovem Gustavo Rezende, de apenas 19 anos de idade. Ele foi encontrado enforcado numa árvore próxima à casa onde morava.
Um grande número de pessoas, entre familiares e amigos, se reuniu para prestar a última homenagem ao rapaz. A vigília partiu da prefeitura de Marlboro em direção à Corte.
A tia de Gustavo, Eliana Condon, contatou o Comunidade News e confirmou que o sobrinho precisava prestar contas com a justiça americana. Segundo ela, o rapaz dizia que amava muito os Estados Unidos e reclamava de liberdade para poder dirigir e fazer o que as outras pessoas fazem. “Ele não tinha carteira, ficava muito inseguro”, disse ela.
Ainda conforme Eliana, os problemas de Gustavo começaram no dia em que ele e uma amiga estavam embriagados, e pararam por causa de um pneu furado. A polícia ofereceu ajuda e acabou prendendo Gustavo. De acordo com Eliana, era a menina quem guiava o veículo mas o sobrinho decidiu assumir a culpa no lugar dela. Gustavo foi colocado em liberdade condicional.
Quando dirigia para o trabalho, no dia seguinte, Gustavo foi parado às 5am porque tinha esquecido de ligar os faróis. A polícia constatou que ele não poderia estar dirigindo e marcou uma corte. Atrasado, Gustavo saiu correndo e deslizou o carro batendo numa árvore e deixou o veículo no local. Ele avisou a polícia e teve nova audiência agendada.
Depois de comparecer à primeira corte, Gustavo foi recomendado a levar um advogado na segunda audiência. “Ele se desesperou, achou que aquilo era o fim do mundo. Ficou perturbado, e achou que a solução era morrer”. De acordo com Eliana, Gustavo deixou somente um pequeno bilhete para a irmã, que deveria avisar o amigo Armando que ele estaria na árvore da vida. O brasileiro usou uma corda para se enforcar numa árvore, localizada há cinco minutos da própria casa.
A notícia da morte, ocorrida entre a quarta-feira (3) e a quinta-feira (4), foi dada pela polícia para a avó de Gustavo. Anna Mariana Silva, 72, está visitando o país e chegou no dia da tragédia. Ela não via o neto há 11 anos. “Ela foi a última pessoa a vê-lo e a primeira pessoa a saber do acontecimento”. Há dois anos e meio, o avô de Gustavo falecia.
Conforto que vem de Deus
A mãe de Gustavo, Deusuita da Rocha Silva, foi avisada em seguida. O pai, Alberone Rezende, compareceu ao velório e ao enterro. A morte de Gustavo enlutou ainda três irmãos, Ana Júlia por parte de mãe e Rita, Stefania e Alberto, por parte de pai. Todos residem em Maryland.
A morte de Gustavo chocou a família, especialmente pelo fato dele ser uma pessoa muito alegre. Eliana disse que ele tinha muitos amigos, mas não sabia a fundo o que exatamente eles faziam. “Peço que os jovens tenham mais diálogo com os pais, para que isto não aconteça novamente. Acho que os melhores amigos dos filhos são os pais.
Gustavo era natural de Figueirópolis D’Oeste, Mato Grosso, e estava nos EUA desde os 8 anos de idade. Trabalhava no New England Sports Center e se formou na high school no ano de 2008. Gostava de jogar vídeo game nas horas de folga e planejava abrir uma companhia de comic book com o amigo Kyle.
Segundo a tia de Gustavo, a mãe decidiu enterrar o filho nos EUA porque ele dizia que aqui era o país dele. “Ele era brasileiro mas com o coração americano”. De acordo com Eliana, o sobrinho pode ter tido influência de amigos. Para a tia, Gustavo deixará muita saudade. “E um vazio muito grande. Uma saudade imensa”.
A família distribuiu caixinhas pelo comércio brasileiro de Marlboro, a fim de ajudar a custear as despesas funerárias, avaliadas em cerca de $9,000. Quem quiser contribuir pode depositar qualquer quantia na agência do Bank of America de Marlboro, 004631249951.