O jornal brasileiro A Semana, com sede em Cambridge, MA, está sendo acusado de anti-semitismo pela comunidade judaica da cidade. Na edição que circulou entre 16 e 22 de julho, o jornal publicou um editorial que culpa Israel pela guerra no Iraque. O editorial dizia que “As práticas de Israel patrocinam o terrorismo quando usa força excessiva nos territórios ocupados, fazendo de vítimas pessoa inocentes ou quando demole as casas dos parentes de terroristas que morram em ataques a bombas.” Diz também que “O governo de Ariel Sharon quer um monopólio de violência mas não se importa com a legitimidade. O Estado Palestino não se comporta como um Estado, mas sim como uma máquina militar guiada pela sua própria lógica”. Cláudio Santos, um funcionário do jornal, disse que “Isto não é uma piada. Isto é uma questão muito séria. Nós dirigimos um negócio limpo e queremos resolver a questão”. Cláudio disse que A Semana é um jornal semanal com um quadro de funcionários pequeno. “Tem um exagero neste editorial, mas do jeito que eu li, ele não é contra nenhum judeu”, disse. Porém Nicholas Sanchez, um leitor do jornal, acredita que o editorial é inapropriado. “A primeira vista você não presta atenção na declaração anti-semita. Mas existe uma diferença entre alguém dizer isto num editorial e uma piada. Isto significa que o jornal representa a visão dos anti-judeus”. Sanchez disse que, além do editorial no jornal, ele leu uma piada sobre sobre a fama de pão duro dos judeus. De acordo com Sanchez, a mesma piada apareceu em oito diferentes jornais brasileiros. Mas Cláudio negou que A Semana tenha publicado a piada. “Nós não publicamos piadas em nosso jornal”, disse. “Eu não estou dizendo que é toda a comunidade, mas existe um seguimento na comunidade brasileira que acredita que os judeus só pensam em dinheiro”, disse Sanchez, que é professor do College Holy Cross em Worcester. “Isto é uma coisa cultural”, completou. Sanchez disse que existe uma longa história de anti-semitismo na Argentina e no Brasil, deste a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas deixaram a Europa para viver na América Latina. Atualmente existem cerca de 14 jornais brasileiros na região da grande Boston, sendo que dois deles são diários. A brasileira Ilma Paizão, presidente da Bramas, entidade de ajuda social aos brasileiros, disse acreditar que muitos brasileiros simplesmente são mal informados sobre a religião judaica. “Nós trabalhamos próximo da Liga Anti-difamatória, e muitos dos nosso voluntários são judeus. Têm muitas pessoas nesta comunidade que têm conexão com o Judaísmo”, disse. “As opiniões expressas não representam a comunidade como um todo, apenas de uma pessoa”. Ilma ainda disse que a Bramas freqüentemente briga com os jornais. “Nós brigamos o tempo todo, mas ei! Eles querem vender jornais. Esta é uma comunidade nova. Nós precisamos dar a eles a informação correta e os jornais nem sempre são precisos”, disse.
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