Sete trabalhadoras brasileiras conseguiram recuperar o salário que não haviam recebido de uma empresa de limpeza em New Hampshire. Todas limpavam um hotel no mesmo estado e eram contratadas da EcoClean. Elas tiveram o dinheiro de volta graças a ajuda do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB) de Massachusetts.
A primeira parcela foi recebida na segunda-feira (16). O CIB ajudou as imigrantes a recuperarem mais de $4,600. Participaram da ação trabalhista Ana Paula Vieira, Cíntia Lages, Maria Casagrande, Flávia Casagrande, Nalva Gomes, Alexandra Faria e Vivian Oliveira.
A iniciativa de procurar o CIB partiu de Alexandra e Nalva. Por telefone, Alexandra contou ao Comunidade News que todas elas trabalharam duro. “Não achamos justo ele simplesmente falar que não ia nos pagar, e deixarmos o dinheiro pra lá, deixar perdido”, disse. A brasileira quis provar também para o dono da EcoClean que ela e as outras trabalhadoras tem direitos, mesmo sendo imigrantes. “Muitas pessoas se acovardaram diante disso”.
Segundo Alexandra, o proprietário da EcoClean, um americano, perdeu o contrato com o hotel e deixou o grupo sem pagamento. “Ele falou que não ia nos pagar porque não tinha dinheiro”. Algumas das brasileiras trabalhavam para o EcoClean desde 2007, outras tinham mais tempo de empresa.
O grupo de trabalhadoras deixou de receber pelas três últimas semanas de trabalho. Quando o dono ‘enrolava para pagar’, as imigrantes, que trabalhavam como housekeepers, diziam para o hotel que não iriam trabalhar. “Então o hotel ficava em cima dele, e ele acabava pagando”.
Informação correta garante direitos
Segundo Evaldo Borges, presidente do CIB, muitos ainda temem efetuar uma denúncia por conta do status imigratório. Ele explica que o interesse maior da promotoria pública de Massachusetts é a violação de direitos trabalhistas, e não se o imigrante tem ou não documentos no país. Ainda conforme Evaldo, o CIB prioriza a recuperação do salário e as informações corretas, assegurando assim melhores condições de trabalho para todos.
“Nós nos sentimos bem ao ajudar o trabalhador a recuperar seu dinheiro, mas a missão do Centro vai mais além. Nós somos um local onde o trabalhador vem se informar sobre as leis trabalhistas do estado para evitar que outros venham explorá-lo no futuro”, disse o presidente do CIB.
Esta disponibilidade do CIB deixa Alexandra bastante satisfeita. “Se a gente não puder contar com o Centro do Imigrante Brasileiro, que apoia a comunidade, a gente vai contar com quem?”. Segundo ela, o CIB teve bastante empenho e deu toda a assistência necessária no caso.
De acordo com Alexandra, o proprietário da EcoClean chegou a ameaçar de entregar para a imigração outras pessoas, quando elas cobravam o pagamento. “Vocês estão ilegais”. Na opinião da brasileira, a ameaça do ex-patrão não tem fundamento. “Nós estamos errados porque somos indocumentados e estamos trabalhando, mas ele está mais errado ainda por ter nos contratado”.
A ex-funcionária da EcoClean aproveita para dar um conselho aos outros imigrantes. “Você nunca deve deixar os seus direitos para trás, direitos nós temos. Nós trabalhamos, então temos o direito de receber”. Segundo Alexandra, quando ela e o grupo sentiram segurança, quando procuraram o CIB. Ela recomenda que todos os imigrantes procurem as informações corretas, para se defenderem de casos como o dela.