A valadarense Girlene Soares, 27 anos, não conteve as lágrimas ao ouvir o veredicto do júri na última terça-feira (7), quando foi absolvida das quatro acusações que pesavam contra ela, inclusive assassinato. O resultado do julgamento, que começou no dia 18 de janeiro na Corte de Danbury, Connecticut, surpreendeu todos os presentes mas, a advogada de Girlene, Vicki Hutchinson acredita que os jurados entenderam que sua cliente não teve intenção de esfaquear o marido e que foi um acidente. Segundo a advogada de defesa Vicki Hutchinson, sua cliente foi inocentada pela justiça americana mas, ela ainda tem que se apresentar a imigração para responder a acusação de ter entrado ilegalmente nos Estados Unidos pelo México. A advogada explica que se a imigração julgar que o tempo que ela ficou detida na prisão foi suficiente para pagar por essa acusação, ela estará em liberdade ainda esta semana. Girlene estava sendo acusada de ter matado o marido, José Luiz da Silva Oliveira, 31 anos, natural de Sobrália, Minas Gerais, com uma facada no peito na madrugada do dia 5 de julho de 2004 no apartamento 13 da Keeler Street em Danbury. Mas, a advogada de defesa sustentava o argumento de que o crime foi um acidente e que ela agiu em legítima defesa, visto que seu marido tinha um histórico de agressões contra ela. Enquanto a promotora Debbie Mabbett tentava comprovar o contrário, visto que Girlene não poderia agir em legítima defesa sendo que nenhuma lesão foi encontrada no seu corpo. Marilene Figueroa e Gizele Oliveira, prima e irmã da vítima foram os únicos membros da família que compareceram para ouvir o veredicto e ficaram surpresas com o resultado. “Nossa família não queria que ela pegasse 60 anos de cadeia, mas no mínimo uns cinco anos por ter tirado a vida de uma pessoa”, disse Gizele. Já Marilene acredita que os jurados pensaram nas crianças de Girlene quando a inocentaram e acrescenta: “Ela já tinha carta de deportação e se fosse pega mesmo antes do crime ia ser deportada, por isso acho que eles uniram o útil ao agradável”, disse. Após o término do julgamento Girlene mandou uma mensagem através de sua advogada falando sobre o caso. “Existe um Deus acima de tudo. Eu sei que Deus sabe a verdade, mas ainda não estou acreditando. Parece que estou dormindo”, e acrescenta: “Obrigada Deus, porque eu estava esperando o pior”. Para os filhos ela deixou a mensagem: “Eu os amo e eu vou voltar para vocês”. Mas, Marilene disse que é uma situação complicada, porque as três crianças de 12, 10 e 8 anos estão sob a guarda da avó paterna e a família ainda não assimilou bem a morte de José Luiz. Depoimento de Girlene Em seu depoimento no dia 24 de janeiro Girlene relatou que na noite do crime o marido estava irritado porque queria dinheiro para comprar drogas e que não a deixou dormir, dando-lhe tapas. Em um dado momento ela decidiu se levantar para ir se trancar no banheiro, para ver se assim conseguia dormir um pouco e que neste momento viu a faca sobre a mesa do quarto. “Decidi pegá-la para guardá-la na cozinha temendo que ele a usasse contra mim, mas neste momento ele me agarrou por trás, perguntando aonde eu ia, e quando eu me virei em sua direção ele veio em cima de mim. O quarto estava escuro e eu não sabia que ele tinha se ferido”, disse. Girlene disse ainda que fugiu porque ficou com medo dele vir atrás dela mais que não sabia que o tinha ferido gravemente. Ela relatou em seu depoimento toda a sua vida desde que conheceu o marido José Luis quando engravidou deste aos 14 anos. Durante os 20 dias de julgamento, foram ouvidos depoimentos de policiais, peritos e legistas que examinaram o corpo e o local do crime, testemunhas como Adalberto Soares-Irmão da vítima que estava no mesmo apartamento na noite do crime - e ainda a psicóloga Wendy Levy, que acompanhou Girlene Soares no período em que ela esteve na prisão.
Por: Liliane Pólvora Tweet