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Corpo de Bombeiros de Somerville inspeciona a casa atingida pelo fogo, causado pela explosão do carro de Fernando Lemos.
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Através de contato com autoridades brasileiras, a família de um brasileiro preso nos Estados Unidos há dois anos vai tentar a expatriação dele. Joel Lemos, 37, está preso em Massachusetts, acusado de cometer um atentado em novembro de 2005 contra o mineiro Fernando Araújo, que sofreu lesões nos olhos. O pedido será elaborado por autoridades de Santa Catarina, estado de Joel, ao Itamaraty, em Brasília.
O brasileiro foi acusado de terrorismo. Ele teria explodido uma bomba no automóvel de Fernando, que felizmente não morreu. Detido três dias após o atentado, o catarinense teria, entre os pertences, um Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, com desenhos de modelos de artefatos explosivos dentro.
Para a mãe de Joel, Deomir Lemos, 72, a culpa é toda da americana Cheri Ellis, que faria parte de um triângulo amoroso com os dois brasileiros.
“Esta americana desgraçou toda a vida dele. Ele estava muito bem lá, chegou a ser dono de uma pizzaria e de um barco pesqueiro. Foi ela quem acusou meu filho e arruinou a vida dele”, disse Deomir. A família do brasileiro considera a acusação de terrorismo absurda, afirmando que ele é mórmon (cristão).
Uma audiência entre o deputado estadual Clésio Salvaro (PSDB), a vice-presidente da Casa do Imigrante de Santa Catarina, Gládis Sarvalaio, e a ministra Mitzi Gurgel Valente da Costa, diretora-geral do Departamento de Imigração e Assuntos Jurídicos do Ministério das Relações Exteriores aconteceria, no máximo, esta semana, com o objetivo de solicitar a intervenção do governo brasileiro.
As autoridades querem também mostrar ao Itamaraty o desespero do brasileiro, através de cartas para a mãe, onde ele pede “socorro” por causa da demora do processo na justiça americana.
A última carta que a mãe de Joel recebeu foi em 24 de março último, onde ele pede que a mãe denuncie a situação em Brasília, relatando ainda que sente dores nas costas e nos dentes. Ainda na carta, Joel reclama que a cadeia de Massachusetts não está fornecendo tratamento médico adequado a ele. “Quero que tragam meu filho para cumprir a pena aqui no Brasil, para que eu possa terminar meus dias perto dele”, desabafou Deomir.
Inofensivo
Há duas semanas Deomir, que mora em Criciúma, cidade localizada a 200 quilômetros ao sul de Florianópolis, se encontrou com Osvaldo Agripino de Castro Júnior, advogado especialista em Direito Internacional e indicado pela OAB de Santa Catarina. A Assembléia Legislativa do estado contratou Agripino para defender Joel.
De acordo com Deomir, Joel não teria condições mentais de fabricar uma bomba, pois aos 9 anos foi diagnosticado com “mente infantil” por neurologistas. Por esta razão, os advogados vão tentar desqualificar a questão de segurança nacional, alegando que o brasileiro não oferece nenhum perigo à sociedade americana. Na opinião de Deomir, Joel teria participado do atentado por vingança, “se é que participou”.
Joel vive ilegalmente nos Estados Unidos há 17 anos. A irmã dele, Dina Lemos, é cidadã americana e mora em Boston. Ela chegou a contratar um advogado, que teria abandonado o caso e sumido com os $20 mil pagos para libertar o irmão.
Segundo Gládis Sarvalaio, a primeira audiência serviria apenas para levar a documentação solicitada pelo Itamaraty. Em caso de expatriação do brasileiro, ele seria novamente julgado e penalizado no Brasil, descontando a pena já cumprida nos Estados Unidos, ainda segundo Gládis.