Mesmo sem esperanças, a família de um americano morto no Rio de Janeiro luta por justiça. Os familiares de Joseph E. Martin, assassinado aos 30 anos de idade pelo policial João Vicente de Sá Freire, temem que o crime fique impune, como muitos outros cometidos no Brasil.
Segundo o jornal Telegram & Gazette, Martin foi morto na noite de 25 de maio de 2007, em frente a uma casa noturna, quando celebrava o aniversário com amigos. Segundo testemunhas, o americano tentou evitar que o policial atirasse num garoto que havia roubado uma bolsa.
De acordo com Elizabeth Martin, tia da vítima, somente depois de contatos com o falecido senador Edward Kennedy e outros políticos é que foi aberto um processo de homicídio culposo (sem intenção de matar), contra o policial. Ela e a mãe de Martin, Frances, estão no Rio desde o dia 7 último, tentando justiça. O policial Freire alega que atirou em legítima defesa.
O rumo do julgamento agora pode mudar. A mãe e a tia de Martin, natural de Worcester, Massachusetts, apresentaram o nome de duas testemunhas que não haviam sido entrevistadas pela polícia. “Foi a primeira vez que um promotor as tinha visto. A polícia tinha tirado eles [os nomes] do processo, e o juiz ficou muito chateado”, disse Marilyn, outra tia de Martin.
Justiça para todos
Joseph Martin dava aulas de inglês no Worcester State College para estrangeiros. Segundo diversos amigos, o americano ganhava destaque por onde passava por causa da rápida amizade com os novos imigrantes da área de Worcester. Por causa de um relacionamento com uma jovem brasileira, mudou-se para a capital carioca em 2005.
A sensação de estar no Brasil, onde se sentia em casa, era descrita por ele na página do MySpace, rede eletrônica de relacionamentos. Segundo Martin, ele se divertia como um louco, chegando a se envolver com frequência em situações de risco.
A família de Martin teme não ver justiça, o que confirmaria a má fama dos policiais do Rio de Janeiro, descrita inclusive no relatório dos Direitos Humanos.
Falando pela primeira vez em público, desde a morte do filho, Frances e a irmã aproveitam o tempo no Rio de Janeiro para se juntar ao grupo Mães do Brasil, formado por outras mães que também tiveram os filhos mortos por policiais. Marilyn, tia de Joseph que está nos Estados Unidos, acredita que a mãe de Joseph encontre conforto, pelo fato de contatar os amigos do filho. Por e-mail, Frances disse “Sei porque Joseph amava o Brasil. É lindo”.
Não é somente para fazer justiça no caso de Joseph que a mãe e as tias estão lutando. Elas querem também chamar a atenção para o problema de mortes causadas por policiais no Rio de Janeiro.