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Jackeline Ruas, de 15 anos, morreu durante um voo de Miami para o Brasil. Família diz que houve negligência médica quando ela foi atendida em hospital nos EUA.Reprodução
Avó da garota morta em voo reclama de atitude da empresa de turismo e da companhia aérea.
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A morte da adolescente Jacqueline Ruas, 15, durante um vôo de volta de uma excursão da Disney, continua causando polêmica. A família não se conforma e quer punição aos responsáveis. Já existe um advogado representando a família para obter os documentos no Hospital Celebration em Orlando, Flórida. A agência Tia Augusta, através da qual a menina fez o passeio, nega que houve negligência no atendimento.
A menina deu entrada no hospital no dia 31 de julho, onde ficou por cerca de seis horas. Foi receitado o medicamento Hydocan, para tosse, que deveria ser ingerido a cada quatro horas, sempre que necessário. Ela já estava medicada com Tamiflu e Zithromax mas deveria voltar ao hospital, caso os sintomas piorassem.
Em entrevista por telefone ao Comunidade News, a tia de Jacqueline, Magda da Paz Santos disse que o Escritório Tucunduva em São Paulo vai tentar obter as receitas médicas, a radiografia e o exame de sangue do hospital, através de uma procuração. Ainda segundo Magda, a Tia Augusta teria solicitado uma procuração para a retirada dos documentos do hospital, mas a família da menina recusou. “Eles omitiram o estado de saúde da minha sobrinha, quem me garante que vão realmente me entregar os exames dela?”, questionou.
Magda disse que a Tia Augusta não estaria prestando nenhum auxílio. De acordo com ela, o diretor da agência, Luis Felipe Fortunato ligou e enviou uma coroa de flores no dia em que Jacqueline morreu. Através de telegrama, o diretor informou que poderia enviar a mãe de Jacqueline, Maria Aparecida dos Santos Ruas aos Estados Unidos, para a retirada dos exames. A família preferiu usar os meios legais.
Jacqueline teve tosse e febre no dia 28 de julho e foi atendida no próprio hotel por uma médica americana, segundo a agência. Segundo Magda, 15 das 29 crianças de 14 a 16 anos que estavam no grupo tiveram os mesmos sintomas. Ainda conforme ela, nenhum dos pais teria sido alertado. Magda diz que foi negado direito de acompanhamento do estado de saúde de Jacqueline.
Segundo Magda, na volta, durante a conexão no Panamá a sobrinha teria reclamado de falta de ar, e embarcou no outro avião de cadeira de rodas porque estava muito debilitada. No vôo, por volta das 4am, uma amiga percebeu que Jacqueline estava gelada, tinha vomitado e espumava pela boca. A guia chamou um médico a bordo e a tripulação para reanimá-la, sem sucesso.
A tia da menina disse ainda que as ligações para os pais tinham que ser feitas a partir de um orelhão. Maria Aparecida, irmã de Magda, teria assinado um contrato na agência, mas ainda não havia recebido a 2ª via, de acordo com Magda. Ela disse também que a agência verbalizou a Maria Aparecida e ao marido, Danilo Elias Ruas Jr., que os pais seriam comunicados de qualquer problema em relação aos filhos.
Na volta da viagem, segundo Magda, a guia Monalisa ficou nos EUA por conta de overbooking (lotação no avião). O grupo então voltou somente com a guia Gisele Martins dos Santos. Magda disse que a sobrinha estava em perfeita saúde quando saiu do Brasil. Ainda segundo ela, a guia teria pedido para Jacqueline se maquiar e colocar óculos de sol para o vôo de volta.
Magda informou que a própria Jacqueline ligou para os pais, dizendo que tinha tido febre e vomitado. Na quinta-feira (30), a menina havia dito à mãe que tinha ficado deitada durante o dia, por conta de uma virose, mas que foi visitada pelo médico e estava bem. No dia seguinte, a família falou com a guia Monalisa pelo rádio, a qual comunicou que Jacqueline tinha feito o exame do vírus H1N1, da gripe suína. O resultado deu negativo. A guia Gisele teria dito que sentaria ao lado de Jacqueline para cuidar dela. Segundo Magda, amigas estariam próximas a Jacqueline, e a guia estaria no fundo do avião.
Sonhos interrompidos
No aeroporto, a família de Jacqueline foi comunicada pelo supervisor Fernando de que ela tinha tido uma parada cardíaca e que tinha falecido durante o vôo. A mãe da menina entrou em estado de choque. Jacqueline foi enterrada na segunda-feira (3) em São Caetano do Sul (SP). Segundo Magda, mães das crianças que ficaram doentes durante a viagem também reclamaram de falta de assistência.
A família não quer que o caso fique impune e quer achar o responsável. “Pela negligência, pela falta de informação, neste aspecto que estamos buscando esta justiça”. O sonho de Jacqueline em visitar a Disney virou um pesadelo. O fato da menina ter realizado o sonho não conforta a família. “O que nos magoa é a omissão de socorro”. Magda disse que a guia sabia que Jacqueline estava com sintomas de pneumonia, no Panamá, e sabia que ela precisava ter chamado socorro médico. “Porque ela não fez isso?”.
Os outros sonhos de Jacqueline eram cursar uma faculdade e fazer intercâmbio. A adolescente guardou segredo sobre o curso superior desejado, pois não queria influência de ninguém. Segundo a tia, tudo indicava que Jacqueline cursaria comunicação e faria o intercâmbio na Austrália. Ainda conforme Magda, a sobrinha só trouxe felicidades para a família inteira. “Não existe uma foto dela brava ou triste”.
O atestado de óbito de Jacqueline diz que ela morreu de choque séptico, empiema pleural e broncopneumonia.
Análises
Por telefone ao Comunidade News, o advogado Renato Tucunduva disse que contataria o hospital por telefone para tentar obter a documentação médica. Caso não consiga, fará uma notificação, seguida de procedimento judicial. Segundo o advogado, o objetivo é evitar a repetição do caso Jacqueline.
Caso seja punida, a Tia Augusta está sujeita a indenizar a família. Segundo ele, a indenização é variável. Se a ação for conduzida perante os tribunais norte-americanos, os valores são bem maiores historicamente do que nos tribunais brasileiros, de acordo com o advogado. Nos EUA, segundo ele, os juízes analisam a teoria do forum non convenience, ou seja, a maior quantidade de pontos de contato do caso com o território norte-americano.
Segundo o Dr. Renato, alguns colegas de Jacqueline tiveram resultado positivo para a gripe suína, e ela foi diagnosticada negativa pelo hospital. De acordo com ele, será verificada a ocorrência da culpa do hospital, até no sentido de Jacqueline não ter sido internada e ter ganho alta. “São questões que precisam ser mais aprofundadas”, disse ele.
Agência nega acusações
O Comunidade News não conseguiu falar diretamente com o diretor Fortunato. A Linhas e Laudas, empresa que presta assessoria de imprensa à Tia Augusta, disse que ele deu uma entrevista coletiva há cerca de duas semanas, e que não falaria mais com a imprensa sobre o assunto.
Em comunicado oficial, a Tia Augusta disse que adotou todos os procedimentos médicos necessários para Jacqueline, e nega que tenha omitido quaisquer informações sobre a saúde da menina. A empresa tem mais de 35 anos de história e já transportou mais de 300 mil turistas aos EUA. Segundo a agência, jamais havia ocorrido um problema semelhante ao caso Jacqueline.