O segundo dia do mês de março é também a data do último desejo de um criminoso que matou um casal de brasileiros. Michael Sigala, 32, receberá uma injeção letal por ter tirado a vida de Kleber Santos, 28, e Lilian Santos, 25, em agosto de 2000. O crime aconteceu no Texas.
Segundo matéria da Associated Press, a Suprema Corte do estado não levou em consideração o apelo para rever a sentença do criminoso. Morador de um subúrbio de Dallas, Sigala matou o casal de brasileiros a tiros, dentro do apartamento deles, em Plano. Lilian ainda foi violentada.
Sigala roubou as alianças do casal e penhorou as jóias. Ele foi preso cerca de dois meses depois do crime. Quando matou os brasileiros, o homem estava em liberdade condicional pela acusação de roubo. O réu chegou a entrar com um recurso, alegando que o depoimento de uma psiquiatra não foi permitido no julgamento. A Dra. Laura Slaughter argumentaria que Sigala tem um histórico de doença mental, e que sofre de transtorno bipolar. A promotoria, porém, evitou que o júri ouvisse o diagnóstico da médica.
O apelo para que Ramiro Gonzalez, 27, também escapasse do corredor da morte, não foi aceito pela Alta Corte. Ele foi condenado por atirar e matar Bridget Townsend, 18. Quase dois anos depois do sumiço da vítima, os restos foram encontrados perto da cidade de San Antonio.
A vítima desapareceu da casa dela, no Condado de Bandera, em janeiro de 2001. Gonzalez tinha sido condenado à prisão perpétua por rapto e estupro. Em outubro de 2002, ele aguardava transferência de prisão quando confessou às autoridades onde estava o corpo de Bridget. Segundo o criminoso, o cadáver estava no Condado de Medina, no rancho da família dele. A execução dele ainda não tem data marcada.
Controvérsia evita corredor da morte
Um terceiro caso está gerando controvérsia no estado. A Corte de Apelação do 5° Circuito quer dar uma nova chance a Anthony Cardell Haynes, 31. Ele foi condenado à morte por matar a tiros o policial Kincaid, 40. Haynes pode ganhar um novo julgamento ao invés de ir para o corredor da morte.
O policial estava à paisana e seguiu um carro que atirou no para-brisa dele. Ao se identificar como policial, Kincaid recebeu um tiro na cabeça. A vítima tinha 13 anos de serviço e estava desarmada no momento. Dois dias depois, Haynes foi preso e acusado de assassinar o policial.
A decisão da Corte de Apelação, que fica em New Orleans, toma como base o julgamento de Haynes, no ano de 1999, quando um júri teria sido excluído por conta de questão racial. Mas segundo a Alta Corte, as regras da Suprema Corte teriam sido mal interpretadas pela Corte de Apelação, por isso um novo julgamento foi ordenado.
Os advogados de Haynes, que é afro-americano, entraram com recurso, alegando que o Juiz Jim Wallace teria permitido que a promotoria excluísse uma jurada, pelo fato da mulher ser negra. Em 1986, a Suprema Corte considerou inconstitucional dispensar um jurado por questões raciais.
Os promotores sustentaram que a jurada não era séria. O Juiz Wallace disse que a exclusão dela não foi baseada na raça. Os advogados de Haynes foram totalmente contra a exclusão da jurada.
Havia uma pessoa negra no júri que condenou o réu. A promotoria eliminou quatro dos seis potenciais jurados durante o processo de seleção. Eram todos negros. Um dos jurados foi eliminado pelos advogados de Haynes. Segundo o parecer do 5° Circuito, o interrogatório individual foi presidido por um segundo juiz. Quando os possíveis jurados eram questionados em grupo, Wallace estava no banco. Ninguém explicou a ausência dele.
No veredito, anunciado no dia 22 de fevereiro, a Suprema Corte declarou que não poderia encontrar nenhuma decisão baseada no fato da Corte de Apelações ter ordenado um novo julgamento para o réu. Por outro lado, não descartou a alegação do jurado, a qual foi a base do recurso, declarando que as cortes inferiores ainda poderiam rever a questão.