Fotos, depoimentos e objetos da cena do crime foram os artifícios usados pela promotoria e pela defesa no primeiro dia de julgamento de Girlene Soares, realizado em 19 de janeiro na Corte de Danbury. Girlene é acusada de ter matado o marido, José Luiz da Silva Oliveira, 31 anos, com uma facada no peito na madrugada do dia cinco de julho de 2004 no apartamento 13 da Keeler Street. O juiz Robert Callahan iniciou a sessão questionando aos 15 membros do júri se algum deles tinha visto na imprensa algo a respeito do crime. Um dos jurados foi dispensado porque disse já ter conhecimento do caso e ter afirmado que isto poderia interferir em sua opinião. Os primeiros depoimentos do dia foram do policial Pastano, que atendeu a chamada na noite do crime e do perito Brian Bishop, que recolheu e examinou objetos do local. Foram exibidas roupas que a vítima vestia e fotos do quarto com o corpo de José Luiz debruçado sobre a cama. Girlene, que acompanhava os depoimentos com a ajuda de uma intérprete não se conteve ao ver fotos do corpo do marido exibidas no telão e chorou. Adalberto Oliveira, irmão da vítima, também foi convocado a depor e relatou o que aconteceu na noite do crime no apartamento em que morava com o irmão. Segundo Adalberto, tanto o irmão quanto Girlene foram em seu quarto pedir cigarro naquela noite e pareciam tranquilos. “Minha mulher me disse que eles brigaram por volta de umas 10:30, mas depois disso foram ao meu quarto pedir cigarro e não ouvimos mais nada”, disse. Mas, por volta de 3 horas da manhã, Adalberto disse que ouviu o telefone tocar e quando atendeu era Girlene na linha. Segundo ele, ela pedia que ele fosse ver como o irmão estava. “Fui até o quarto e ele estava debruçado sobre a cama e eu disse a ela para não se preocupar que ele parecia bêbado e estava dormindo. Foi então que ela pediu para eu olhar direito, quando peguei na sua cabeça e vi que ele estava frio e sem reação. Quando então eu disse após ver a faca no chão: Você matou meu irmão!”. Brigas, bebida e traição eram rotina na vida do casal segundo Adalberto, que afirmou que a cunhada passou várias noites fora de casa com um amante no período em que o irmão cumpria pena de 20 dias na delegacia de Danbury. Auto-defesa “Eu não queria matar o pai dos meus filhos. Eu estava me defendendo”, trecho da declaração de Girlene lida por um intérprete no segundo dia de julgamento 20 de janeiro. Girlene Soares escreveu ainda no seu depoimento que na noite do crime seu marido começou a molestá-la. Ela então se levantou da cama e ele foi atrás dela. Neste momento, ela disse que avistou a faca de cozinha e a desferiu no marido. E é no argumento da auto-defesa que está trabalhando a advogada Vicki Hutchinson, que enfatiza as agressões que sua cliente recebia do marido. Enquanto a promotora Debbie Mabbett tenta comprovar o contrário, visto que nenhuma lesão foi encontrada no corpo de Girlene naquela noite, conforme comprovou o depoimento do detetive Dan Trompetta. O detetive, que interrogou Girlene algumas horas depois do crime, disse que nenhuma marca de agressão foi encontrada no seu corpo após ela ser examinada no hospital. Dan Trompetta explicou que teve dificuldade de registrar o depoimento da brasileira devido a barreira do idioma, e que por isso contou com a ajuda de um policial que entendia o português. Ele disse que pediu para ela fazer suas declarações por escrito e ainda filmou o seu depoimento naquela noite. Mas, quando a fita iria ser exibida na corte foi constatado que ela estava em branco. A advogada Vicki Hutchinson o questionou se não se certificou que estava gravando e Trompetta respondeu que tinha testado horas antes e que por isso não se preocupou. Por fim, o júri assistiu o depoimento de Carlos de Abreu, a quem Girlene foi pedir socorro após sair de seu apartamento e de onde ligou para Adalberto para saber se o marido estava vivo. A advogada que acompanha o caso afirmou que o julgamento pode levar até três semanas até ser dado o veredito final à brasileira.
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