A comunidade brasileira de Connecticut perdeu um dos seus membros mais queridos. Francisco Santos, o “Chicão”, 55, faleceu na segunda-feira, 16, vítima de derrame cerebral. Em 2009 ele já havia sofrido outro derrame, porém de menor gravidade.
Segundo a esposa de Chicão, Izaura, por volta de 11 horas da noite, Chicão tomou um banho e deitou para dormir quando começou a sentir-se mal. “Eu escutei um barulho no quarto e quando fui ver ele estava vomitando, com a cabeça caída e um dos olhos fechados”, disse ela acrescentado que ele não conversava.
A ambulância foi chamada e chegou rapidamente. Izaura ainda queria colocar uma camisa nele, mas os paramédicos disseram que não haveria tempo pois o estado era muito grave.
Levado para o hospital, os médicos constataram que o derrame havia sido muito grave. “Eles (os médicos) disseram que a cabeça dele estava cheia de sangue pois a veia que se rompeu jorrava muito sangue”, relatou Izaura.
Os médicos ainda cogitaram fazer uma cirurgia na cabeça de Chicão para a colocação de um tubo na esperança de estancar a hemorragia.
Entretanto, durante a madrugada, a pressão dele caiu muito e os médicos descartaram qualquer possibilidade de operá-lo. “Ele não aguentaria a cirurgia e o cérebro dele já estava todo danificado”, disse Izaura.
Chicão foi mantido respirando por aparelhos para a possível retirada de órgãos para doação, que segundo a esposa, era um desejo dele. Porém, devido aos remédios que foram ministrados, a doação não se realizou.
“Havia a possibilidade da doação das córneas, mas o hospital queria pedir autorização do pai de 96 anos que mora no Brasil, mas a sobrinha dele não deixou. Ele já estava sofrendo muito, não precisava fazer ele sofrer mais”, revelou Izaura.
Na presença da esposa, filhos e amigos, os aparelhos foram desligados ao meio-dia de quarta-feira, 18.
Natural de Governador Valadares e residindo nos EUA há cerca de 25 anos, Chicão deixa esposa, dois filhos no país e três no Brasil do primeiro casamento.
O velório aconteceu no sábado, dia 21 e o corpo foi enterrado no mesmo dia. Segundo Izaura, Chicão sempre disse que caso morresse gostaria de ser enterrado nos EUA. “Ele dizia que se não fosse para voltar ao Brasil com vida, morto também não queria”, disse ela.
Comunidade se une para ajudar
A comunidade brasileira de Danbury e Waterbury se uniram para ajudar a família com as despesas do funeral, que segundo a Izaura, custou mais de U$7.000. Diversas “caixinhas” foram deixadas em restaurantes para a arrecadação de dinheiro.
No sábado, 21, parte da bilheteria do Forroxé, realizado no Tuxedo Juction em Danbury, foi direcionada à família de Chicão. Tocaram na noite as bandas Viro Mania e Marcas do Forró.
A vontade da comunidade ajudar ocorreu na mesma intensidade na qual o próprio Chicão ajudava a todos que necessitavam dele. “Sempre quando alguém estava em dificuldades, ele passava o dia inteiro ligando para as pessoas na tentativa de conseguir ajuda”, disse Izaura.