A Biblioteca de Danbury sediou na última terça-feira, (17), a palestra “Uma guerra não declarada aos imigrantes”, organizada pela Coalização de Danbury pela Paz. O evento reuniu americanos prós e contra a legalização dos imigrantes que vivem nos EUA. Os dois grupos já tinham se confrontado antes no dia 7 de janeiro em um protesto no centro de Danbury organizado pelo grupo anti-imigrante Connecticut Citizens for Immigration Control, (C.C.I.C.), mas dessa vez puderam expor seus argumentos sobre a questão. A Coordenadora da Coalizão pelos direitos dos imigrantes de Danbury (DACORIM), Ingrid Espinosa, foi convidada a fazer o discurso de abertura da palestra e explicou os objetivos do órgão e da marcha “Danbury unida pela solidariedade, tolerância e respeito pela diversidade”, ocorrida em junho do ano passado. Em seguida, a ativista do grupo Latinos Contra a Guerra, Marela Zacarias, e o advogado de imigração Phillip Berns, descreveram as deficiências do atual sistema imigratório americano. Argumentos Cerca de 30 pessoas estiveram presentes ao evento dentre eles um pequeno grupo hispânico, por isso todas as palestras foram proferidas em dois idiomas, inglês e espanhol. A ativista Marela Zacarias começou o seu discurso perguntando: “Por que os EUA estão culpando os imigrantes de serem um peso para a economia? Eles não conseguem encontrar o motivo do padrão de vida deles estarem baixando e acham que podem resolver essa questão tornando mais rígidas as leis de imigração”, disse Marela, que em seguida mostrou dados que comprovam a participação do imigrantes no crescimento da economia americana. Marela destacou que a maior parte desses 11 milhões de imigrantes ilegais usam Social Security falso e por isso não recebem a restituição dos impostos que pagam, dinheiro este que fica para o governo americano. Ela acrescentou que até o representante da Câmara de Comércio dos EUA reconheceu a importante contribuição do imigrante ilegal para a economia americana, gerando um lucro anual de 100 bilhões de dólares “Diante disso podemos constatar que há uma grande diferença entre o que os políticos dizem e a realidade”, explicou. Já o discurso do advogado Phillip Berns se ateve a descrição das leis de imigração vigentes que para ele não funcionam. Ele disse que os EUA não proporciona meios viáveis para que grande parte dos imigrantes entrem no país já com status legal, a não ser que estes tenham cidadania, Green Card ou muito dinheiro. “A maioria da sociedade americana acha que para o imigrante conseguir a legalização no país é fácil, mas não é!”. O advogado deixou claro que não concorda com o crescente número de imigrantes que chegam ao país violando as fronteiras, mas argumenta que problemas como este serão resolvidos com a criação de leis mais condizentes com a realidade do imigrante e do país. “A necessidade dos EUA hoje é de se contratar cerca de 500 mil trabalhadores imigrantes, mas só há disponível 65 mil vistos de trabalho, sendo que 60 mil é destinado para profissionais especializados e 5 mil para trabalhadores na agricultura”, informa. Phillip Berns afirmou que os EUA está separando famílias devido a demora nos processos de legalização. “Segundo a lei vigente, ser um americano decide regularizar um imigrante que chegou aqui legalmente mas deixou o visto expirar, esse processo de trabalho demora cerca de 5 anos e ele não poderá sair do país até a sua conclusão”, disse. Ele acrescenta que com o projeto de lei H.R. 4437 que será votado este ano a situação irá piorar, pois tanto para aqueles que chegaram com visto mas deixaram a permanência expirar, quanto os que vieram pelo México terão que voltar para o país de origem e esperar o perdão por um período de até 10 anos para poder aplicar para a legalização. A pastora Phyllis T. Leopold, diretora das Associações das Comunidades Religiosas de Danbury, pediu a palavra e avisou aos presentes que no dia 24 de fevereiro a entidade estará realizando uma reunião para debater o projeto de lei H.R. 4437. Chamado de “Ato de controle de proteção na fronteira, anti-terrorismo e imigração ilegal”, o projeto, segundo Phyllis, é uma agressão contra o direito dos imigrantes. Por isso, ela está preparando um abaixo assinado na cidade que deverá ser enviado ao Senado americano, para que este não seja sancionado lei pelo presidente. “A lei criminalizará até assistentes sociais e religiosos com cinco anos de prisão se for constatado que estes estão dando algum tipo de assistência aos imigrantes ilegais”, disse Phyllis. No fim da palestra, os anti-imigrantes que estavam em número de 7 se pronunciaram. “Vim a este encontro para abrir minha mente sobre a questão, mas desde que chegamos fomos excluídos dos seus comentários. Vocês reivindicaram legalização, mas em nenhum momento ouvi dizerem que querem fazer parte da nossa cultura e conviverem em harmonia conosco”, Barb Keidel, americana que segurava o cartaz com o dizer “Deporte Ilegais”, no protesto no início do mês em Danbury. A Coalização de Danbury pela Paz se encontra de duas em duas semanas na 241 Main Street Suíte 3. Mais informações pelo telefone: (203) 417-3590.
Por: Liliane Pólvora Tweet