A Interpol (polícia internacional) capturou na sexta-feira (12) em Newark, New Jersey, o casal de brasileiros Celso Vieira dos Santos, 44, e Elizete Maria Weberling Vieira, 38, a “Zetinha”. Os dois são acusados de tramar o assassinato de Ronie Rodrigues Fagundes há pouco mais de sete anos.
O crime aconteceu em Lajinha, na comunidade rural de Teófilo Otoni (MG), no dia 6 de janeiro de 2003. O corpo de Ronie foi descoberto no mesmo dia por um lavrador que foi prestar serviços no sítio “Floricultura Raquel”, de propriedade dos acusados. Em 17 de novembro de 2008, o Ministério Público Estadual apresentou denúncia contra o casal.
Segundo o assessor jurídico Hamilton Tavares Amaral, da Justiça Criminal de Teófilo Otoni, o mandado de prisão foi expedido e comunicado à Interpol, mas ainda não existe um comunicado oficial em relação à prisão dos brasileiros. Até agora, a Interpol pediu somente a tradução de documentos relativos ao processo.
De acordo com a denúncia, assinada pelo Promotor Hélio Pedro Soares, Celso e Zetinha abandonaram o sítio depois do crime e não foram mais vistos. A propriedade foi vendida através de procurador para uma terceira pessoa. Através de investigação, a polícia no Brasil descobriu que o casal tinha vindo para os EUA.
Hamilton não soube confirmar se o casal usava nome falso no país. A extradição dos acusados será pedida somente depois do comunicado oficial da Interpol. Acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, Celso e Zetinha podem pegar de 12 a 30 anos pelo primeiro crime, e de um a três anos pelo segundo crime.
Negociação fatal
De acordo com a denúncia, Zetinha teve um envolvimento amoroso com a vítima. Contratou então o próprio amante para eliminar o marido. A trama foi descoberta por Irany Pereira dos Santos, companheira de Ronie, que convenceu Zetinha a desistir. Depois de uma discussão entre os três, ocorrida um mês antes do crime, Ronie pediu à acusada a quantia de R$5 mil para não contar tudo para Celso.
Zetinha, na condição de chantageada, e Celso, o marido traído, resolveram então matar Ronie. Chegaram a contratar um pistoleiro, mas vizinhos afugentaram o matador. Ronie e Irany foram então dormir em um hotel.
O casal acusado atraiu a vítima para o sítio. Depois de efetuarem vários disparos à queima-roupa, Celso e Zetinha envolveram o corpo de Ronie em uma rede e enterraram-no numa cova rasa no sítio. O lavrador Tales, apelido “Prego”, percebeu uma escavação coberta por capim e bambus e chamou a polícia. Segundo Jonas Moreira da Silva, outro trabalhador, havia sangue na varanda da casa.
A perícia concluiu que a vítima não teve qualquer chance de defesa e que houve crueldade na prática do crime. Os disparos começaram pela região ilíaca/lombar e terminaram com um tiro na cabeça. A investigação concluiu ainda que Celso e Zetinha agiram por motivo torpe.
O Comunidade News não conseguiu contato com a Interpol até o fechamento desta edição.