Danbury, CT - Wednesday, February 08 2012
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Brasileiros processam hotéis de Orlando por horas trabalhadas

O fechamento da empresa Very Riliable Services, que contratava pessoas para trabalhar em hotéis de Orlando, deixou dezenas de pessoas no prejuízo.

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O Hotel World Swan, localizado na Disney World, está entre os  envolvidos no processo trabalhista.

O Hotel World Swan, localizado na Disney World, está entre os envolvidos no processo trabalhista.

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O fechamento de uma empresa em Orlando, na Flórida, deixou vários imigrantes lesados, incluídos muitos brasileiros. Eles foram contratados pela Very Reliable Services (VR) para trabalhar em hotéis e não receberam pelos serviços prestados. A empresa também é investigada por autoridades brasileiras e americanas por possível participação em esquema de fraudes de vistos de trabalho.

De acordo com o jornal Orlando Sentinel, entre os hotéis que contrataram a VR estão o Walt Disney World’s Swan and Dolphin Resort e o Westin Imagine, considerados os dois maiores da área de Orlando. A VR fechou por conta da investigação, e os contratados ficaram sem o pagamento pelos serviços de limpeza e de lavanderia, realizados durante um mês.

Para reaver o dinheiro, alguns trabalhadores estão processando os hotéis contratantes da VR. Cada trabalhador precisa receber por cerca de 160 horas de trabalho. O salário prometido a eles era de aproximadamente $7.50/hora. Segundo duas ações judiciais em separado, os hotéis deveriam pagar os funcionários. O advogado dos trabalhadores, Greg Schell, afirmou que os hotéis tem cada vez mais usado subcontratados, pois assim evitam a responsabilidade sobre os trabalhadores.

Ação legal amedronta brasileiros
Por telefone ao Comunidade News, o advogado Greg Schell contou que até agora há somente dois brasileiros processando os hotéis. Centenas deles teriam sido prejudicados. “Mas todos eles estão com medo”, disse ele. Ainda segundo o advogado, filipinos e mexicanos também entraram com a ação judicial. Ele supõe que o medo dos brasileiros resida na falta de documentos legais no país. “Mas alguns deles tem documentos e os mexicanos são indocumentados”.

Greg Schell disse que a VR não tem dinheiro, e que os hotéis alegam que não é responsabilidade deles pagar os trabalhadores. “Mas perante a lei eles são igualmente responsáveis”. O advogado disse ainda que não está cobrando pelos serviços, e que fica a critério dos brasileiros procurá-lo. “Mas se os brasileiros não querem o dinheiro deles, não posso fazer nada”.

Ronei Barbosa e a esposa Sandra são os dois brasileiros que procuraram o advogado. Em entrevista ao Comunidade News, ele deixou claro que não está contra a VR, e está buscando os direitos relativos ao hotel onde trabalhou. O brasileiro disse que foi funcionário da empresa por quase 10 anos. Nesta época, segundo ele, era outra companhia. Já com o nome de VR, a empresa prestava serviços para 5 hotéis, segundo ele. Ronei disse ainda que vários trabalhadores foram prejudicados mas não quiseram entrar com a ação por medo de perder o emprego.

Entre os hotéis de luxo que tiveram os serviços da VR estão o Hilton Walt Disney World Resort, Hilton Orlando Bonnet Creek e Hyatt Regency Orlando International Airport.

Solidariedade e colaboração nas investigações criminais
O Walt Disney World’s Swan and Dolphin Resort é representado pela TJM Communications, Inc. Segundo a presidente Treva Marshall, o hotel se solidariza com a situação dos trabalhadores, mas que eles não foram contratados pelo Dolphin Resort. “Infelizmente, entendemos que o empregador falhou ao não efetuar o pagamento devido a eles”, disse ela.
Ainda segundo Marshall, o hotel está colaborando com as investigações criminais contra a VR, iniciadas pela Promotoria dos Estados Unidos. De acordo com a porta-voz, mesmo não se considerando responsável, o hotel está analisando a situação para determinar o curso de ação mais apropriado.

A VR e outras companhias da área de Orlando foram alvo da chamada “Operação Anarquia”. Segundo investigadores brasileiros, 13 pessoas, incluídos dois cidadãos americanos, foram presos na fraude de vistos de trabalho. Com informações falsas para obter os vistos, os ditos agenciadores selecionavam trabalhadores do Brasil, Rússia, República Dominicana, Filipinas, Romênia e Emirados Árabes.

Segundo a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, cada candidato pagava até $15,000 para supostas funções temporárias. A quantia faturada pelos fraudadores chegou a $52 milhões.

Os escritórios da VR, localizados no Universal Boulevard em Orlando fecharam em dezembro último, depois de revista realizada por agentes federais. O advogado de dois diretores da VR e de empresas coligadas disse que os clientes estão dispostos a pagar os trabalhadores. Mas segundo o profissional, os bens das empresas foram apreendidos.

O Comunidade News tentou ligar para a VR, mas uma gravação indicava que o número constante na lista telefônica foi desconectado.

Da redação do ComunidadeNews.com
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