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O cientista mineiro Walter Leal atualmente trabalha na Universidade UC Davis, na Califórnia.
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A Sociedade Entomológica Americana (ESA, na sigla em inglês), escolheu um brasileiro como mais novo membro. O Cientista brasileiro Walter Leal, da Universidade UC Davis da Califórnia, será oficialmente reconhecido em dezembro.
A cerimônia está agendada para a semana de 13 a 16, durante o encontro anual da ESA, em Indianápolis. O Professor Leal será homenageado junto com os outros escolhidos. Todos os anos a organização elege até 10 membros, reconhecendo as contribuições em extensão, administração, pesquisa e ensino.
Há menos de um ano o cientista recebia a Medalha da Ciência, durante o 22° Congresso Brasileiro de Entomologia em Uberlândia (MG). É com simplicidade e bom humor que encara a indicação para a ESA. “Parece que o pessoal está com falta de opções”, brincou o professor, que agora se junta aos 6.000 membros da ESA. A honra aumenta quando ele confidencia que recebeu treinamento em outras áreas, mas nunca em entomologia (ciência que estuda os insetos).
O cientista continua ambicionando a Academia de Ciências dos Estados Unidos (NSA, em inglês), mas tem consciência de que ainda existem várias etapas pela frente. Segundo ele, dois dos membros eleitos agora para a ESA já são membros da NSA. A indicação para a ESA serve de incentivo para o professor Walter continuar as pesquisas.
De acordo com ele, os cientistas atualmente trabalham com muita colaboração, uma das marcas registradas do professor. Prova disso é o trabalho que está realizando com cientistas do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e México para fundar a Associação Latino-Americana de Ecologistas Químicos. Os planos começarão a ser traçados no Congresso Brasileiro de Ecologia Química em dezembro, na cidade de Viçosa (MG).
Walter Leal é conhecido nos Estados Unidos e fora dele pela pesquisa e colaboração na área da ecologia química de insetos. O trabalho dele sobre os feromônios – substâncias químicas que quando captadas por animais de uma mesma espécie permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos – pode ajudar no controle dos insetos e na agricultura internacional.
Prêmio dividido com a família
O trabalho de Leal como grande incentivador de novos talentos continua. Um estudante da Universidade Federal do Paraná e outro da Universidade Federal de SP passarão três meses na UC Davis. A universidade também levará estudantes americanos ao Brasil para conhecerem a parte de produção álcool na produção agrícola. O professor destacou que reconhecimentos como este da ESA dão mais credibilidade para os jovens que estão iniciando na carreira.
Sobre a ciência no Brasil, Walter enfatizou a criação do Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Ele foi um dos avaliadores da proposta de criação dos institutos. “Dá um ânimo novo à ciência brasileira”. Para este projeto específico, o professor destacou a inclusão de estados mais atrasados em termos de ciência, ganhando o incentivo dos estados brasileiros mais adiantados.
O Brasil ainda não deve estar sabendo da indicação de Walter para a ESA, mas ele não reclama. “Estas coisas é bom a gente não falar, é bom o pessoal ficar sabendo de outras formas”.
A família do cientista recebeu a notícia com muita alegria. O filho mais velho disse que ‘sonha em ser melhor do que o pai’, apesar de não ser da área científica. A caçula, de 9 anos, sempre reclama. “Detesto esse pessoal que lhe faz viajar”. Mas está com certeza feliz. “É a família inteira que recebe o prêmio, porque se tira tempo da família para fazer as coisas. É um final de semana, umas horas a menos, feriados. Se a família não estiver realmente envolvida, termina não aceitando”. O filho do meio, de 12 anos de idade, é o mais interessado na área das ciências.
Com orgulho, Walter disse que a esposa dá bastante suporte à carreira dele. “Quando ganho um prêmio desses, ela sente também um pedacinho dela”.