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Ana Amélia, que está presa acusada de matar o próprio bebê, fez acordo com a promotoria e deverá pegar de 10 a 47 anos de prisão.
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Está marcado para o dia 22 de julho o julgamento da brasileira Ana Amélia Santos Cuoco, 24. Ela é acusada de matar o próprio bebê por asfixia. Os pais da au pair, Lineu e Elisete Cuoco vem aos Estados Unidos para assistir o julgamento. O advogado brasileiro Ângelo Carbone ainda luta para que ela cumpra parte da pena no Brasil.
Por telefone ao Comunidade News, o irmão de Ana Amélia, João Gabriel Cuoco, afirmou que não tinha informação a respeito da data do julgamento. Os pais de Ana Amélia estavam no litoral, e João disse que a vinda deles para os Estados Unidos ainda não estava certa.
Mas o advogado Ângelo Carbone, que vem tentando extraditar Ana Amélia, confirmou que o casal já está com os passaportes e os vistos prontos. Apesar de não ter mais contato com a família de Ana Amélia, afirmou que Lineu fala todas as semanas com ela. Carbone continua tentando extraditar a brasileira. “Tenho certeza que vou conseguir fazer com que ela cumpra pelo menos uma parte da pena aqui no Brasil”, disse.
Na opinião de Carbone, Ana Amélia não deveria ter feito o acordo com a promotoria. Através deste acordo, a brasileira admitiu a culpa de assassinato em terceiro grau, para em retorno não ser acusada de assassinato em primeiro grau e assim se livrar de uma possível prisão perpétua, sem direito à liberdade condicional.
Pelo acordo Ana Amélia teria a pena mínima de 10 a 20 anos de prisão e a máxima de 23 anos e meio a 47 anos. Ela terá a sentença anunciada pelo Juiz John F. Cherry.
Carbone alega que qualquer mulher está sujeita ao estado puerperal, o qual deve ser provado por exames e perícia. “É evidente que ela não teve esta intenção”. Estado puerperal é o período pós-parto entre a expulsão da placenta e a volta do organismo da mãe para o estado anterior à gravidez. A mãe pode ter depressão e até mesmo matar a criança, crime chamado de infanticídio (Art.123 do Código Penal Brasileiro).
O advogado acredita que Ana Amélia seria absolvida, caso não tivesse feito este acordo. “Se [Ana Amélia] declarasse insanidade momentânea, ou insanidade em decorrência do parto, da gravidez, ela não tinha tido esta pena”.
Admitindo a culpa
O promotor Fran Chardo, responsável pelo caso, disse que Ana Amélia não expressou nada em relação à vinda dos pais, respondendo somente às perguntas dele. No dia 6 de maio último a brasileira admitiu a culpa por assassinato em terceiro grau.
Segundo Chardo, Ana ficou satisfeita, porém aceitou a responsabilidade e admitiu a morte da criança por asfixia, o que foi difícil para ela. “Mas ela admitiu o que tinha que admitir”, disse ele. A presença dos pais não influenciaria na sentença, segundo Chardo. A decisão ficará nas mãos do juiz.
Depois da sentença, Ana Amélia será inicialmente transferida para a State Correctional Institution, localizada na cidade de Muncy, Pensilvânia. Desde o ano passado a au pair está presa na Prisão do Condado de Dauphin.
Cerca de cinco meses antes de ter o filho, Ana Amélia foi para a casa da família Dorris trabalhar como au pair, programa de intercâmbio onde meninas atuam como babás em troca de estudos de inglês pagos pela família para quem trabalham. Contratada pela Au Pair Care, que está baseada em São Francisco, Califórnia, a jovem escondeu a gravidez. Uma das normas da agência é não estar grávida.
No dia 7 de agosto de 2008, Ana Amélia deu à luz no basement da casa onde morava e trabalhava em Lower Paxton Township. Depois de fazer o parto sozinha, enrolou o bebê numa toalha, colocou-o numa sacola e guardou-o no closet. O fato foi descoberto quando uma das crianças de quem cuidava desceu para desejar feliz aniversário.