Uma brasileira residente em Greenwich, Connecticut, decidiu por um fim ao que ela chama de indignação com os funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque. Maria Rita Carvalho pretende alcançar a marca das 100 assinaturas em um abaixo-assinado. O documento serve para protestar contra o suposto mau atendimento por parte dos funcionários da representação.
Em um e-mail endereçado diretamente ao cônsul-geral, Embaixador Osmar Chohfi, o marido da brasileira, Luciano Carvalho, disse que foi maltratado por diversas vezes. “Desligaram o telefone na cara de minha esposa, e não sou o único pois estou fazendo um abaixo-assinado com pessoas que passaram pelo mesmo problema que venho passando, e posso afirmar que não são poucas”, diz um dos trechos do e-mail.
Por telefone ao Comunidade News, Maria Rita relatou o motivo que originou o abaixo-assinado. Segundo ela, os brasileiros que vão ao consulado são maltratados e desrespeitados. Um dos exemplos foi o que uma amiga ouviu de um funcionário, quando perguntou a ele o que era uma homologação de divórcio. “Se você não sabe, nem eu”.
A brasileira alega também que o consulado tem dificultado a emissão do passaporte da filha dela. Segundo Rita, a sucessão de maus-tratos está fazendo a filha desistir do documento. De acordo com a mulher, o funcionário teria questionado o status legal da filha. “Nem a imigração pergunta isso pra você. É muita falta de respeito”. Ainda segundo Maria Rita, o funcionário ameaçou jogar os documentos da filha no lixo, caso ela não fosse buscá-los.
Segundo Maria Rita, um membro da igreja dela teria sido chamado a atenção aos gritos por uma funcionária. O motivo foi o local da assinatura em um money order. A brasileira afirmou que não sabe o nome de nenhum dos funcionários citados. “Eles não te dão o nome”, disse ela.
O objetivo de Maria Rita é coletar 100 assinaturas. “Eu preciso fazer alguma coisa. Isto tem que ser arrumado, o consulado está aí para ajudar as pessoas”. No dia em que teve o telefone desligado na cara, e que teria igualmente sofrido um deboche por parte do funcionário, Maria Rita pediu para falar com o embaixador. Segundo a brasileira, o deboche ocorreu quando ela perguntou o nome do funcionário e ameaçou fazer queixa dele.
“Faz o que você quiser. Chama o Planeta Brasil, chama quem você quiser”, disse o funcionário, desligando o telefone na cara dela em seguida. Morando no país há 22 anos, Maria Rita disse que não guarda boas lembranças da cinco vezes em que foi ao consulado. “Nunca fui maltratada nem pela imigração, nem por um órgão americano. Agora vou ser maltratada pelas pessoas do meu país?”, questionou ela.
Maria Rita disse que chegou a colocar as queixas na caixinha de sugestões do consulado. “Coloquei mas ninguém ligou de volta, ninguém falou nada, ninguém faz nada”. Brasileiros que moram em White Plains, Port Chester e Yonkers estão participando do abaixo-assinado. Com o documento assinado, Maria Rita pretende conseguir justiça. “As pessoas tem que ser bem tratadas. Eles são pagos com o nosso dinheiro”.
De acordo com a brasileira, ela nunca ouviu falar que alguém tenha sido bem tratado no Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque. “Eles dão as informações todas erradas”. Segundo Maria Rita, o tratamento dispensado pelo setor de informações do consulado brasileiro em Miami, Flórida, foi bem diferente. “Me trataram maravilhosamente bem”. Até à quinta-feira (18), Maria Rita havia coletado cerca de 55 assinaturas.
Embaixador tomará providências
Contatado pelo Comunidade News, o embaixador Osmar Chohfi disse que as reclamações são graves, e que devem ser checadas. Ele afirmou que os funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque são muito dedicados e que trabalham com uma grande carga de tarefas. “Mas eles em geral são educados e procuram atender o público bem. Esta é a instrução que eles tem”, disse o embaixador.
Chohfi disse que leva as reclamações muito a sério. “Acho importante que as pessoas que se sintam mal atendidas escrevam para o consulado”. O embaixador citou a caixinha de sugestões, e disse que semanalmente é feito um levantamento. “Exatamente para verificar o que está ocorrendo e melhorar o serviço, se for necessário. É importante que as pessoas digam isso” .
Sobre a resposta do funcionário quanto à homologação do divórcio, Chohfi disse que “isto realmente não pode ser a resposta. Até eu sei responder, porque o funcionário não sabia, realmente é um absurdo”. Segundo o embaixador, isto não pode acontecer. “A orientação que os funcionários tem é de responder com cortesia e educação a todas as perguntas”. Caso não souberem a resposta na hora, os funcionários devem pedir telefone e e-mail de contato da pessoa e dar a resposta posteriormente, de acordo com Chohfi. “Esta é que tem que ser a atitude de todos os funcionários”.
O embaixador disse que vai verificar os casos específicos de reclamações e que tomará as providências necessárias. “Eu tenho também que ouvir a versão do meu funcionário. Da mesma maneira como nós temos que ser educados com elas [as pessoas], as pessoas tem que ser educadas com os funcionários do consulado”. Segundo o cônsul, há casos de funcionários que choraram por terem sido maltratados pelo público. “Então vamos ser justos”. O cônsul afirmou que o trabalho dos funcionários é avaliado permanentemente.