Pela primeira vez falando sobre imigração com o Congresso desde que assumiu a presidência, Barack Obama assumiu em público que haverá muitos desafios para aprovar uma lei. Brasileiros residentes em Danbury, Connecticut, mostram um misto de expectativa e falta de esperanças numa eventual legalização.
A reunião realizada no dia 25 último já havia sido marcada e adiada duas vezes por problemas nas agendas dos participantes. Considerado por Obama um dos assuntos mais críticos do país, a reforma imigratória foi o tema de uma conversa honesta e política. Mesmo assim, o presidente americano admitiu que não há consenso para reunir os votos necessários para aprovar uma lei.
A expectativa pode estar lá no alto, mas os brasileiros entrevistados não apresentaram grandes esperanças na aprovação de uma lei. Alguns que planejam a volta ao Brasil a curto e médio prazo disseram que ficariam no país se a lei fosse aprovada, mesmo se estivessem com as malas prontas. Outros acham difícil que uma anistia seja aprovada, beneficiando os estimados 12 milhões de imigrantes indocumentados.
Enquanto uns apostam na aprovação entre os anos de 2009 e 2010, outros ‘empurram’ para os próximos dois ou três anos. “Se dependesse só dele (Obama) aprovava mais rápido”, disse Márcio Firmo Correia. Outro brasileiro que acredita na boa intenção do presidente usa de um dito popular para concordar com Márcio. “Uma andorinha só não faz verão”, afirmou Rubens Alves da Silva.
A consciência de que a América é uma nação de imigrantes e que a mão de obra deles é necessária para o país não é o bastante. Existe o temor de que uma eventual proposta seja novamente barrada, a exemplo do ano de 2007, a qual foi apresentada pelo então presidente Bush. Uma das razões para a não aprovação da lei estaria nas eleições para senador e deputado, que acontecem no ano de 2010. Advogar em favor de um reforma imigratória pode colocar em risco a vitória nas urnas.
Espera frustrante
Na opinião de Ronaldo dos Santos, se a lei for aprovada obedecerá a alguns critérios, como dar o documento primeiro para quem está há mais tempo na América. Mesmo sem uma aprovação, acha melhor não ter documentos aqui do que voltar para o Brasil. “Mas se os Estados Unidos fecharem o canal e não deixarem o imigrante trabalhar, tem que ir embora”, disse.
Mesmo com o green card na mão, dois comerciantes continuam na torcida por todos que não tem a mesma sorte. Além de ser positiva para o negócio, a legalização tornaria a vida dos imigrantes muito mais fácil. A aprovação da reforma imigratória poderia significar o aumento do cerco aos imigrantes, na opinião de Antônio Carlos Conceição Jr. Já para Carlos Souza, a legalização é sinônimo de carteira de motorista e de um carro registrado no próprio nome para muitos.
O fato de ter um visto de trabalho não faz com que o assistente de pastor Osvaldo Júnior se sinta confortável, pois vê o clima de total frustração entre os fiéis da igreja onde trabalha. Muitos destes imigrantes tem voltado para o Brasil, tristes por não ter realizado o sonho de ganhar dinheiro com muito trabalho. Para ele, sem uma posição mais firme do governo, como no caso da crise financeira, nada vai acontecer.