Os dois funcionários do Departamento de Recursos Humanos de Utah, acusados de emitir uma lista com 1.300 nomes de imigrantes, serão investigados criminalmente. A declaração é do Procurador Geral que está a frente do caso. Alguns nomes constantes na lista são de imigrantes com documentos legais no país.
A abertura de uma investigação de nível criminal foi anunciada na quarta-feira (21). Segundo o porta-voz do Departamento de Recursos Humanos de Utah, Dave Lewis, um dos funcionários envolvidos era temporário, e teve o contrato encerrado. O outro empregado foi comunicado da intenção de término de contrato, através de um aviso.
Os dois teriam elaborado e distribuído uma lista com 1.300 nomes de imigrantes indocumentados. Mas segundo as autoridades, alguns nomes da lista são de imigrantes em situação regular no país. Junto foi emitida uma carta, assinada por um grupo que se intitula “Cidadãos Americanos Preocupados”, o qual insistia que as pessoas da lista fossem deportadas. A lista foi entregue ao gabinete do governador, agências judiciárias locais e a mídia.
“A outra pessoa (é) um funcionário com mais tempo de serviço que tem situação de mérito. Temos certos protocolos que precisamos seguir. Ela tem a oportunidade de lamentar, ter uma audiência com nosso diretor executivo e contar a sua história antes do término do contrato”, disse Dave Lewis.
Os nomes dos dois funcionários estão sendo mantidos em sigilo.
Imigrantes aterrorizados
Em comunicado, a diretora executiva do Departamento de Recursos Humanos de Utah, Kristen Cox, disse que existe um cuidadoso treinamento para a equipe usar e divulgar os dados pessoais de forma apropriada, conforme o exigido pelos regulamentos e leis federais.
“Protegemos cuidadosamente as informações pessoais que coletamos, e levamos muito a sério a confiança do público. A lista continha informações imprecisas e prejudica a necessidade de manter a confidencialidade e o respeito às regras do nosso país”, disse Cox.
Em entrevista à CNN, o Governador de Utah, Gary Herbert disse que todas as pessoas da lista tem sobrenomes hispânicos. De acordo com o Procurador Geral Mark Shurtleff, o fato viola as leis estaduais e federais de privacidade. Por isso, pode envolver delitos graves e deve requerer uma investigação de nível mais elevado. Ainda segundo Shurtleff, o crime não está só em como a lista foi usada, mas também na criação e preparação da mesma.
Algumas das pessoas citadas na lista disseram que sofreram assédio.
“Está claro que não significa o mesmo que uma lista negra. Parece mais uma lista de alvos. Penso que é para colocar medo nas pessoas, aterrorizá-las, mantê-las mobilizadas para poder agir. O fato é que os nomes da lista são inocentes até que se prove a culpa, e estamos concluindo que alguns dos nomes ... estão aqui legalmente”, disse Shurtleff.