Enquanto não for aprovado, o DREAM Act continuará deixando muitos estudantes sem a chance de realizar grandes sonhos. Brasileiros e outros imigrantes se veem sem saída quando precisam decidir por um diploma universitário americano ou a volta para casa por falta de documentos.
Segundo matéria publicada no MetroWest Daily News, a aprovação do DREAM Act beneficiaria cerca de mil estudantes de Massachusetts. A afirmação é de Deivid Ribeiro, porta-voz do Student Immigrant Movement.
O DREAM Act daria aos estudantes indocumentados a chance de participar do in-state tuition, ou seja, pagar a mesma mensalidade que estudantes residentes no estado. Além disso, cria a possibilidade de obter a residência permanente.
De acordo com Deivid, 10 políticos já demonstraram boa vontade em aprovar o DREAM Act. Entre eles está o Senador John Kerry. “Estamos trabalhando para conseguir o apoio de (Senador) Scott Brown – é o único legislador que falta. Está muito quieto (na questão)”, disse Deivid.
Quem apoia o DREAM Act sustenta que a lei ajudaria estudantes tão dedicados a alcançarem o mesmo sucesso educacional que seus colegas. Já quem se opõe, diz que a lei encorajaria a vinda de mais indocumentados ao país, além de tirar o lugar de estudantes que tem documentos.
Somente estudantes entre 12 e 35 anos de idade poderiam ganhar a residência permanente com o DREAM Act. Eles precisam ainda ter chegado aqui antes dos 16 anos, e estar morando no país por cinco anos consecutivos. É preciso ainda ter um passado criminal limpo, ter graduado na high school, obtido um diploma de GED (similar ao supletivo brasileiro) ou ter sido aceito em uma instituição de ensino superior.
Sem solução
Michael Jacoby Brown, diretor da organização Metropolitan Interfaith Congregations Acting for Hope, tem visto alguns casos de estudantes que tem os sonhos cortados pela metade. Como o de uma brasileira, recém formada pelo Framingham State College. Sem documentos, ela precisa trabalhar na área de limpeza.
“É uma pessoa muito talentosa. Poderia contribuir para este país – ela quer”, disse Michael, que lida com a questão imigrante.
A mexicana Tanya Ocampo, que cursa o último ano da Framingham High School, já se vê praticamente sem opções para o futuro. “Não é nossa culpa termos sido trazidos para este país. Na escola, me esqueço disso às vezes, aí escuto outros estudantes falarem sobre que faculdade vão frequentar, e eu gostaria de ir também”, desabafou a imigrante.
A falta de alternativas já levou os Ocampo a discorrerem sobre a possibilidade de enviar Tanya de volta para o México, onde faria um curso superior ou arranjaria um emprego, depois de se formar nos Estados Unidos.
“Será muito difícil. Pode ser que eu consiga enviá-la, mas precisaremos pagar duas vezes mais (no in-state tuition)”, disse Ruben Ocampo, pai da estudante. Preocupada, ela se faz perguntas mas não obtém nenhuma resposta. “Agora estou pensando ‘O que vou fazer?’. Ano que vem é meu último ano (de high school)”.