Danbury, CT - Wednesday, May 23 2012
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Imigração

REFORMA IMIGRATÓRIA PODE NÔO SAIR

Mais uma vez o Senado Americano falha em avançar com a reforma imigratória, deixando milhões de pessoas apreensivas quanto ao futuro no país. A falta de acordo entre republicanos e democratas remete ao ano passado, quando a proposta também foi pratic

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O futuro de mais de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos ficou, na última sexta-feira, 8, mais incerto do que nunca, depois que um projeto de reforma imigratória promovido pelo presidente George W. Bush acabou emperrado no Senado. Na noite de quinta, os senadores americanos se pronunciaram contra uma moção que visava ao fim do debate das propostas sobre o tema e à votação do projeto de lei, o que, na prática, permite que o processo de apresentação de emendas se estenda indefinidamente. A rejeição, encabeçada, em sua maioria, pelos republicanos, evidencia as profundas divisões que há no Legislativo sobre a reforma imigratória e representa um revés para o próprio Bush, que nos últimos dias havia feito inúmeros pedidos para que os senadores aprovassem a iniciativa. O governante instou ao líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, que não dê o projeto como morto e volte a apresentá-lo em breve no plenário. “Peço ao senador Reid que aja rapidamente para este projeto de lei de volta ao plenário para uma votação. E peço aos senadores de ambos os partidos que o apóiem”, disse Bush em discurso que gravou em Heiligendam para o seu programa de rádio transmitido aos sábados, cujo conteúdo a Casa Branca antecipou nesta sexta. O debate imigratório “dividiu muitos americanos”, disse o governante, que fez da reforma imigratória um assunto quase pessoal. “Como qualquer medida legislativa, este projeto de lei não é perfeito e, como muitos senadores, acho que será preciso melhorá-lo ao longo do caminho, uma vez transformado em lei”, admitiu o presidente. Mas, “se nos unirmos, poderemos criar um sistema de imigração digno deste grande país”, ressaltou Bush. Para impor um limite no debate de propostas imigratórias, os defensores do projeto de lei precisavam do voto de pelo menos 60 dos 100 senadores. Porém, eles só conseguiram 45. O resultado da votação desfez meses de intrincadas negociações lideradas, na câmara alta, pelos líderes democratas, e, na Casa Branca, pelos secretários de Comércio, Carlos Gutiérrez, e de Segurança Nacional, Michael Chertoff. O projeto de lei representava um delicado compromisso entre democratas e republicanos e abria o caminho para a legalização da situação dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Além disso, determinava a criação de um programa de trabalhadores temporários como forma de canalizar a imigração futura e conciliá-la com as necessidades das empresas americanas. No fim, a medida satisfazia a poucos. Os setores mais conservadores consideravam que os passos para a legalização equivaliam a uma anistia, algo rejeitado com veemência por Bush. Por sua vez, os mais liberais achavam que a iniciativa era onerosa demais e prejudicava os laços familiares dos imigrantes. Os conservadores conseguiram várias vitórias esta semana, sobretudo nesta quinta-feira, quando conseguiram aprovar uma emenda que estabelecia o fim do programa de trabalhadores temporários após cinco anos. Outra emenda só autorizava o uso do inglês como idioma oficial, o que, na prática, impedia o Estado de emitir comunicados em outra língua. Após o fiasco da noite passada, Reid afirmou que tentará apresentar o projeto novamente. Porém, a Câmara de Representantes disse que só examinará a iniciativa depois de o Senado aprová-la. Em entrevista coletiva após a votação, o próprio Reid passou mais tempo criticando a Casa Branca do que comentando as chances de o projeto reaparecer com novo vigor. “É um projeto do presidente”, afirmou o líder democrata. “Mas onde estão as pessoas do presidente nos ajudando a conseguir os votos?”, questionou em seguida. Por enquanto, o tempo não está a favor da iniciativa, já que, em agosto, o Congresso entrará de férias e, na volta, são esperados mais debates sobre a guerra no Iraque.

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