No último sábado, 30 de setembro, imigrantes e líderes de centros de apoio ao imigrante se juntaram para protestar contra a prisão dos onze equatorianos, no dia 19 deste mês, que enquanto esperavam por um dia de trabalho, foram surpreendidos por agentes da imigração. A manifestação de protesto aconteceu no Kennedy Park, mesmo local onde os onze equatorianos foram detidos, e contou com a presença de imigrantes de várias nacionalidades, como também americanos que apóiam a causa imigratória. Os marchantes seguravam faixas que diziam “Uma cidade, várias cores”, “Nenhum ser humano é ilegal!” e “Amor sem fronteiras.” Entre muitos líderes que discursaram para o aglomerado estiveram, o líder do DACORIM (comissão pelo direito dos imigrantes de Danbury), Leonel Villavicencio, que taxou a prisão dos onze equatorianos como arbitrária, e relembrou que mais uma vez imigrantes tiveram sua dignidade violada. Segundo o mesmo, três, dos onze presos, ainda não tiveram direito de se comunicar com suas respectivas famílias. Outro que também levantou aplausos da platéia foi o presidente do centro cívico equatoriano, Franklin Pena, que ao tirar do bolso documentos supostamente indispensáveis para os imigrantes, surpreendentemente acorrentou os braços e os pés enfatizando que o único crime desses imigrantes é querer trabalhar para sustentar suas famílias. Mesmo sendo em sua maioria de origem latina, manifestantes contaram com apoio de americanos que lutam pela regularização da causa imigratória, entre eles, a representante do partido Democrata de Danbury, Lynn Taborsak, que após seu discurso revelou ao Comunidade News que o prefeito de Danbury está mentindo quando diz que não teve nada a ver com a presença da imigração na cidade, no último dia 19, porque eles [os agentes de imigração] não agiriam sem o consentimento e apoio da força municipal; “Danbury precisa criar um centro de cadastramento para contratação dos imigrantes, pois o Kennedy Park não é o lugar adequado para estes imigrantes buscarem trabalho”, acrescentou ela. Tudo estava caminhando como previsto até o momento em que americanos anti-imigrantes chegaram ao local para confrontar os manifestantes. Eles traziam cartazes do tipo: “fechem nossas fronteiras agora”, “Não à anistia” e “punan empregadores de imigrantes ilegais!” Apesar da tensão momentânea, a força policial agiu rapidamente, criando uma barreira entre os dois grupos, Nos quais, na chegada ao City Hall foram, pacificamente, mantidos em lados opostos da avenida. A americana Diane Blank, que fazia parte do grupo anti-imigrante, revelou que não é contra imigrantes, mas contra os ilegais, porque eles violam as leis do país e ainda se acham no direito de reinvidicar. “Essa história de dizer que eles estão fazendo o trabalho que nenhum americano quer fazer é uma mentira, temos muitos cidadãos de baixa renda que precisam trabalhar. E esses que dizem estar em favor dos imigrantes, se quisessem ajudá-los de verdade iriam para o país deles, para tentar melhorar a situação por lá e não trazer o problema para cá.” afirmou ela. Porém, quando questionada o que fazer com aqueles que já estão vivendo no país ilegalmente? “Deportação a todos ! Não queremos o que não presta, são um bando de foras da lei e devem ser tratados como tal.” ressaltou ela sem nenhum ressentimento. Já o americano de origem portuguesa, Tom Manuel, salientou que não entende o porque essa nova leva de imigrante, diferentemente dos europeus que imigraram para América no século passado, não se esforça para aprender inglês e se adaptar à cultura americana, ao invés de tentar transformar este país numa nação bilingüe. “Essa atitude deles é muito indiferente e desrespeitosa para nós americanos, pois eles que precisam se adaptar a nossa cultura e não nós a deles.” Após seus calorosos apelos por unificação, justiça e legalização a todos, em frente ao City Hall, os marchantes retornaram para o Kennedy Park, mais uma vez, com a esperança de que desta vez seus gritos sejam levados em consideração.
Por: Mirela Batista Tweet