Danbury, CT - Thursday, March 11 2010
Home | Notícias | Imigração

Imigração

PREFEITURA COMEÇA O ANO ATACANDO IMIGRANTES

Câmara de Vereadores de Danbury adiou, no último dia 3 de janeiro, a votação do programa que poderá estabelecer uma parceria entre a polícia local e a imigração.

Comunidade News
O prefeito Mark Boughton comanda a reunião na câmara dos vereadores da cidade.

O prefeito Mark Boughton comanda a reunião na câmara dos vereadores da cidade.

Versão para impressão  Versão para impressão
Enviar para um amigo  Enviar para um amigo

Matéria também disponível em vídeo


Em audiência pública realizada no dia 03 de janeiro, às 7h30pm, a Câmara de Vereadores de Danbury, Connecticut, adiou a votação do programa federal 287g, que autoriza os policiais locais a atuarem como agentes de imigração. O democrata Paul Rotello pediu um estudo mais aprofundado da lei, opinião compartilhada por alguns residentes. A nova votação deve acontecer em fevereiro. Apesar do frio, alguns manifestantes protestaram do lado de fora. O encontro registrou a presença de somente 6 brasileiros, embora cerca de 50 tenham sido avisados da votação.

Os manifestantes, todos americanos, gritavam palavras de ordem contra as batidas do ICE e contra os ataques aos direitos humanos. Um dos cartazes pedia anistia aos imigrantes. A ativista americana Jean Hislop tinha esperanças que os vereadores estudassem melhor o assunto, antes de aprovar a lei. “Eles obtiveram informações do Chefe de Polícia Al Baker e do prefeito há cinco dias, não é tempo suficiente para informar a comunidade a respeito do programa”, disse Jean.

A ex-líder do Centro Hispânico, Maria Cinta Lowe, também marcou presença, dizendo que o prefeito não escutaria os defensores nem os líderes religiosos. Ela disse ainda que o trabalho da polícia aumentaria e que os imigrantes seriam mais perseguidos. A ativista não tem dúvidas de que a economia local cairia, em virtude da parceria com o ICE, e pediu mais humanidade e proteção aos direitos dos imigrantes.

Mesmo sendo um residente legal, o brasileiro Pedro Souza fez questão de comparecer. “Se a lei for aprovada, a cidade ficará deserta”. Decepcionado com o baixo número de brasileiros presentes, Pedro disse. “Temos mais americanos colaborando com os imigrantes. Uma reivindicação hoje pode ser benéfica para todos nós no futuro”.

O Pastor Silvani da Silva, da Igreja Assembléia de Deus, só tinha uma certeza. “Se a lei for aprovada, vai causar um prejuízo muito grande”, disse o pastor, enfatizando que o pânico se espalharia entre os imigrantes. O religioso falou aos fiéis da importância da participação, e já pensou numa alternativa. “Nós pastores pensamos em fazer uma reunião com o prefeito, muito em breve, para discutir as conseqüências desta medida”.

Para o Pastor Ophir de Barros, da Igreja Batista, a aprovação da medida acarretaria numa pressão psicológica muito grande sobre a comunidade, e pediu a união dos brasileiros. “O brasileiro, por caráter, não protesta. Temos que mobilizar mais a comunidade, que ainda está dispersa”.

O luso americano Paulo Fernandes tem medo que a cidade esvazie, a exemplo de Riverside, New Jersey, que adotou medidas drásticas contra os imigrantes. “Acho que está errado o que querem fazer, a América é para todos”, afirmou Paulo. A comerciante Emilia Fernandes, mãe de Paulo, também demonstrou preocupação. “Todos irão embora e será pior para a cidade”, disse ela.

O desejo de Danbury firmar uma parceria com o ICE (imigração) está baseado em crimes cometidos por imigrantes indocumentados: gangs e crime organizado, tráfico de drogas, tráfico humano, fraude de documentos, roubo de identidades, incluídas ainda investigações em locais de trabalho. Os motivos para formalizar a parceria foram relatados pelo Chefe de Polícia local, Al Baker.

Opinião dividida e desinformação
Dentro da Câmara de Vereadores, a ativista Jean Hislop manifestou seu desagrado com a medida. “Temos pouca informação a respeito”, ressaltando o terror que se instalaria entre os imigrantes. Alguns americanos ainda têm a opinião dividida a respeito. Enquanto um citou o “fardo” que os imigrantes traziam aos hospitais e escolas, outro questionou o envolvimento dos imigrantes em crimes, e o dinheiro que os imigrantes custam à cidade, dizendo que o programa do ICE também custaria dinheiro.

A ex-candidata à prefeitura de Danbury, Helena Abrantes, disse que está havendo desinformação. “A lei 287g autoriza um policial, ao prender um criminoso, a chamar o ICE”, explicou Helena. Aproveitou para tachar de hipócritas aqueles que não têm informação sobre a lei. “Os mais fanáticos pensam que poderão, com a aprovação da lei, prender as pessoas e mandá-las embora”.

O advogado americano Tom Wolfe não pôde falar na câmara, pois não é residente de Danbury. “Eu queria dizer ao prefeito que o programa não vai reduzir a criminalidade, e vai plantar o medo nos imigrantes de denunciar crimes”. Ele chamou a atenção para o bom funcionamento do sistema. “A polícia de Danbury já tem acesso total aos registros dos imigrantes que já foram deportados ou que têm carta de deportação. Não há necessidade de firmar acordo com o ICE”.

Cumprindo a lei municipal, a oposição de somente um vereador, neste caso Paul Rotello, impediu a votação da medida. Rotello pediu um estudo mais aprofundado, antes de implantar a lei. Uma nova reunião deve acontecer no final deste mês, com a conseqüente votação em fevereiro.

Por: Angela Schreiber
Comentários
Carregando...
Edição Impressa
Assine nossa Newsletter
Entre com seu e-mail abaixo para receber nossa newsletter
Publicidade

Comunidade News | Expediente | Fale Conosco | Política de Privacidade | Login

© Comunidade News LLC.

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Comunidade News LLC. <a href="http://marcusnunes.com" title="Marcus Nunes">Marcus Nunes</a> <a href="http://jovemempreendedor.com" title="Jovem Empreendedor">Jovem Empreendedor</a>
Click Here
Connecticut - New York - New Jersey
  Capa | Videos | Expediente | Fale Conosco
Buscar: