Danbury, CT - Thursday, March 11 2010
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Imigração

Parceria entre a polícia de Danbury e o ICE preocupa comerciantes

Enquanto alguns pensam em tomar uma atitude, outros acham que o prefeito não daria ouvidos.

Cátia Ferreira, proprietária da Mirante Agency, dedicou parte do seu tempo para enviar e-mails ao vereadores pedindo a reprovação da proposta.
Petição enviada aos vereadores.

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A possível parceria entre a polícia de Danbury, Connecticut, e o ICE (imigração) está deixando a comunidade brasileira apreensiva. Alguns comerciantes brasileiros estão se mobilizando, pedindo a todos os clientes brasileiros para contatarem os políticos, demonstrando o desagrado com a provável aprovação da medida. Outros são contra a aprovação da medida, mas não tomaram iniciativa.

A mobilização dos comerciantes brasileiros faz sentido, pois sem os imigrantes, o comércio local sofreria uma baixa significativa. Muitos estão com medo de que a cidade se torne “fantasma” como era há cerca de 15 anos, quando a Main Street não possuía o número de lojas de imigrantes que ostenta atualmente.

A comerciante Cátia da Silva, dona da Mirante Agency, tem medo dos prejuízos que possa sofrer, e não está pensando só nela. “Sou cidadã americana, mas sou imigrante também, temos que pensar na situação dos outros”, disse Cátia, que enviou e-mail aos vereadores, se opondo à medida. “Também avisei todos os meus clientes para ligarem para a prefeitura”, disse Cátia, referindo-se à pesquisa junto aos residentes.
A cidade de Riverside, New Jersey, que viu milhares de brasileiros “debandarem”, em função de uma lei que prejudicaria totalmente os imigrantes, pode servir de exemplo. Comércios brasileiros e inclusive americanos presenciaram a queda nas vendas e o conseqüente abalo da economia local. Hoje a cidade é vista como uma cidade fantasma. Por ironia, a lei que multaria comerciantes que contratassem imigrantes indocumentados, e proibiria o aluguel de imóveis aos mesmos, nunca saiu do papel.

Apreensão e falta de iniciativa
Outros comerciantes brasileiros sabem que a lei pode ser aprovada, apesar de não estarem totalmente a par do assunto. Uma comerciante chegou a comentar que não aprova a parceria entre a polícia e o ICE, e que qualquer assunto que afeta os imigrantes é de seu interesse. Mas, nem por isso, demonstrou interesse em votar na pesquisa da prefeitura, feita via telefone. Ela também não tinha lido as matérias sobre o assunto.
O programa 287g é um acordo firmado entre o ICE, autorizando polícias estaduais e municipais, detetives, investigadores e policiais das prisões a agir como agentes de imigração para investigar crimes violentos, tráfico humano, crime organizado e tráfico de drogas cometidos por imigrantes. Somente dois policiais serão especialmente treinados para acessar o banco de dados do ICE com os nomes dos imigrantes indocumentados.
Solange Santos, proprietária da LS Graphics, está bastante apreensiva, não só por ela, mas também pelos outros comerciantes. “Já enviei e-mail, estou fazendo o que está ao meu alcance”, disse Solange, que sugeriu um comitê dos comerciantes brasileiros com as autoridades. Apesar do medo, Solange tem certeza de que “a lei não será aprovada”.

Quem já está prevendo também uma queda nos negócios é Rita Ferrari, dona da All State. “A lei é um absurdo, não pode ser aprovada”, disse Rita, sugerindo um abaixo-assinado feito por um comerciante, coletando a assinatura de cada cliente que entrasse nas lojas. Apesar da excelente sugestão, Rita disse que o prefeito não escutaria os comerciantes que fossem até ele.

Para Renata Amaral, proprietária da RM Insurance, o clima na cidade “está muito quente”, em função da discussão. Ela afirmou que a aprovação da lei não prejudicaria somente os imigrantes. “Os americanos também serão questionados”, disse Renata, que repassou os telefones e os e-mails dos vereadores para os clientes. “Espero que estejam sendo responsáveis em contatá-los”.

O mesmo programa foi adotado pela polícia de Framingham, Massachusetts. Porém, para convencer as autoridades, o Chefe de Polícia Steven Carl mostrou detalhes de como pretendia colocar a medida em prática, enfatizando que os policiais treinados pelo ICE só poderiam atuar nos casos que envolvessem fraudes de documentos, armas e drogas. “Se você for pego dirigindo sem carteira de motorista, não vamos colocar o seu nome num computador, não temos mão de obra nem infra-estrutura para fazer isto. Não estamos interessados em infrações”, explicou Carl, referindo-se ao programa.

O proprietário da Graphica Design Printing & Signs, Paulo Machado, é contra a medida, mas disse que não vai “levantar esta bandeira”, acrescentando que não existe uma liderança na comunidade brasileira. Paulo também não enviou e-mails aos vereadores. Ele justificou dizendo que “não conhece nenhum vereador”.

O Comunidade News tentou ouvir outros comerciantes, mas os recados deixados na secretária eletrônica não foram retornados até o fechamento desta edição.

Comunidade brasileira se une contra medida proposta pelo prefeito de Danbury
A possível aprovação da Lei 287g, que treina policiais para atuarem como agentes de imigração, à procura de imigrantes criminosos, está agitando a cidade de Danbury, Connecticut. A reclamação de alguns residentes, feita no dia 3 último, durante a reunião na Câmara de Vereadores, de que o tempo de 30 minutos era insuficiente para se manifestar, gerou uma pesquisa por telefone, a fim de saber a verdadeira posição dos residentes. O fato gerou polêmica. Ao mesmo tempo, o jornal The News Times também comanda uma pesquisa, onde o Não está vencendo, numa disputa apertada. Numa tentativa de impedir a aprovação da lei, a comunidade brasileira colheu centenas de assinaturas, que foram encaminhadas às autoridades locais.

A petição foi gerada a partir de muito diálogo entre comerciantes, religiosos e a comunidade brasileira em geral. Todos estão muito conscientes das drásticas conseqüências que a aprovação da medida pode trazer a todos os imigrantes da cidade. Cerca de 450 assinaturas já foram colhidas, num ato de união raramente visto dentro da comunidade brasileira.

A mobilização dos brasileiros não ficou só nas assinaturas. Muitos enviaram e-mails aos vereadores, pedindo não à medida. Comerciantes brasileiros também pediram que todos os clientes respondessem à pesquisa do News Times, da prefeitura ou contatassem os vereadores, mostrando o quanto eles próprios seriam afetados. O provável aumento da perseguição aos imigrantes, caso a lei seja aprovada, gerou um misto de pavor e insegurança entre os brasileiros.

Ao mesmo tempo em que a comunidade brasileira faz o que pôde, o prefeito também tenta, a todo custo, conseguir aliados. No último dia 8, todos os residentes foram contatados por telefone, para saber se aprovam ou não a medida. De acordo com Boughton, foi a maneira que ele encontrou de dar mais voz aos residentes, já que ouviu reclamações, na reunião do dia 3, quanto ao tempo de somente 30 minutos para falar a respeito da lei.

Por: Angela Schreiber
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