O presidente da Associação dos Advogados de Imigração, William Robinson, em frente a pousada “La Posa”, local que cuida de imigrantes em busca de refúgio.
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Um programa no estado do Texas está ajudando imigrantes que buscam asilo nos Estados Unidos. Criado pela American Bar Association (ABA) - órgão similar à OAB no Brasil – o ProBAR apoia os imigrantes detidos no sul do Texas.
Segundo o Valley Morning Star, o atendimento é feito na organização La Posada Providencia, na cidade de San Benito. Imigrantes de várias nacionalidades foram ouvidos na semana passada pela ABA. “Não são advogados, são anjos”, disse um brasileiro. Segundo Meredith Linsky, diretora do programa chamado Projeto Pro Bono de Representação de Asilo, o trabalho vem acontecendo há mais de 20 anos. Ele é totalmente grátis.
No local funciona um abrigo, onde os imigrantes que solicitam asilo tem uma cozinha comunitária, aulas comunitárias e consultas com advogados de imigração.
Um dos atendidos fugiu da Etiópia. Aos 24 anos, o imigrante disse que foi ameaçado por apoiar o partido da oposição de seu país. As autoridades disseram que o matariam, caso ele fosse preso uma terceira vez. O imigrante, que foi brutalmente espancado, teme agora não conseguir asilo nos Estados Unidos.
Para chegar ao país, o etiopiano passou por Dubai, Cuba, Colômbia e Panamá. Foram meses de viagens de ônibus e trens. Depois de muito caminhar, foi preso pela imigração e encaminhado a um centro de detenção, onde ficou por sete meses. O objetivo do ProBar é evitar a deportação de imigrantes como este.
Quem busca asilo nos Estados Unidos tem se deparado com um sistema imigratório quebrado e repleto de casos não resolvidos. Dados mostram que no último ano fiscal, os casos pendentes ultrapassaram mais do que o dobro somente na corte de imigração de Harlingen (TX).
Segundo a presidente da Comissão de Imigração da ABA, Karen Grisez, o ProBAR expandiu o atendimento para crianças. Inúmeros casos no sul do Texas comprovam que crianças desacompanhadas, as quais precisam responder legalmente por si próprias, estão na fila de deportação. Um relatório emitido no início do ano pela ABA mostra que a perseguição aos imigrantes indocumentados lotou as cortes de imigração, fazendo com que os juízes de imigração tenham três vezes mais processos do que os juízes distritais federais.
Sistema sobrecarregado
De acordo com uma pesquisa da Transactional Records Access Clearinghouse, organização da Universidade de Syracuse (NY), os casos de imigração pendentes atingiram a média de 456 dias de espera. Os dados foram divulgados no final de outubro último. Ainda de acordo com o estudo, os casos pendentes da corte de Harlingen pularam para 4.000 este ano. É mais do que o dobro de casos pendentes no ano passado: 1.780.
Segundo o Departamento de Justiça Americano, existem atualmente 262 juízes de imigração em atividade nas 59 cortes de imigração espalhadas pelo país. Dos 23 novos juízes de imigração nomeados no início deste mês, os quais estão incluídos nos 262, nenhum deles foi indicado para trabalhar nas cortes de Los Fresnos (TX) e Harlingen.
Seriam precisos 100 novos juízes de imigração para os casos em andamento, segundo dados da ABA.