Danbury, CT - Tuesday, February 07 2012
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Imigração

Organização denuncia aumento na transferência de imigrantes presos

Relatório da Human Rights Watch mostra que os imigrantes são mandados para prisões distantes dos estados onde vivem.

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Um relatório expedido pela organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) revela que a imigração americana tem praticado uma verdadeira dança das cadeiras em relação aos imigrantes presos. Segundo o documento, é frequente a transferência de imigrantes para prisões a milhas de distância do estado onde eles vivem.

O relatório de 87 páginas foi escrito por Alison Parker, vice diretora do HRW dos Estados Unidos. Depois de uma vasta pesquisa e valendo-se do Freedom of Information Act (FOIA) para obter as informações, Parker mostra em detalhes que a prática de transferência de imigrantes de uma prisão para outra vem crescendo.

Segundo o documento, intitulado “Preso Longe: A Transferência de Imigrantes para Centros de Detenção Remotos nos Estados Unidos”, em tradução livre, no período de 1999 até 2008 o ICE transferiu 1,4 milhão de imigrantes, impedindo assim muitos deles de lutar para não serem deportados. Parker tachou a ação do ICE de jogo caótico de cadeiras musicais. “E é um jogo com consequências desastrosas, pois pode impedir de encontrar um advogado ou apresentar provas de defesa”, disse.

De acordo com o documento, os centenas de milhares de imigrantes presos todos os anos pelo ICE são distribuídos em mais de 300 centros de detenção, localizados em quase todo estado americano. A maioria são cadeias controladas pelos governos estaduais e locais, que operam na condição de subcontrato com o ICE, a fim de dar um lugar para os imigrantes.

Os imigrantes são com frequência mandados para prisões nos estados do Arizona, Louisiana ou Texas. Segundo Rebecca Schreve, advogada de imigração, os presos são colocados dentro de um avião no meio da noite, sem ter idéia para onde vão. “Tenho atendido a telefonemas de familiares histéricos – pessoas traumatizadas – soluçando ou gritando ao telefone, ‘Não sei onde meu filho ou meu marido está’”, exemplificou ela.

Ainda de acordo com o relatório, muitas destas transferências são desnecessárias. O documento cita ainda a Sexta Emenda da Constituição Americana, a qual reza que o preso que aguarda julgamento tem o direito de ser julgado na jurisdição onde cometeu o crime. Os dados coletados denunciam uma corrente de transferências, ou seja, o imigrante é transferido para uma prisão, e pouco tempo depois transferido novamente para outra prisão.

Drama faz imigrantes entregarem os pontos
A história do jamaicano Jeffrey J. ilustra bem o quadro. Residente legal nos EUA há 22 anos, ele cometeu em Nova York dois crimes por posse de drogas, o que não constituiu delito grave. Depois de três meses de detenção em Nova York e New Jersey, Jeffrey foi transferido para o Texas, onde não conseguiu reverter a situação. Acabou sendo enviado de volta para casa.

O relatório mostra que 28.797 brasileiros foram transferidos no período estudado. Os mexicanos lideram a lista com 527.502 transferências. Somente no ano fiscal de 2008 foram transferidos 317.482 imigrantes. O período estudado também mostra que o total de imigrantes transferidos do estado de Connecticut para outros estados foi de 1.685. O estado que mais recebeu imigrantes transferidos foi o Texas, com 166.628, e as Ilhas Virgens estão por último na lista, com 3 transferências.

Nem mesmo os advogados dos presos são informados das transferências. Os parentes dos detidos vivem um verdadeiro drama. Um deles foi transferido do estado de Nova York para o Novo México, fato que desespera a mãe, portadora de pressão alta, a esposa e um filho de apenas 1 ano de idade. Sem condições de lutar mais, o imigrante vai concordar com a própria deportação.

O documento mostra também a história de um residente permanente natural da República Dominicana. Depois de ser transferido da Filadélfia para o Texas, o homem tentou ligar para a polícia para obter os recordes. O pedido de mais tempo começou a irritar o juiz. Os papéis acabaram chegando e ele tentou levar o caso adiante por conta própria. “Eu perdi”, disse o imigrante.

O custo associado às transferências, ou mesmo uma eventual economia, não foram revelados pelo ICE.

Da redação do ComunidadeNews.com
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