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Com um cartaz do líder, membros da Igreja Metodista de New Orleans compararam o sonho de Luther King com o sonho de legalização dos imigrantes.
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Palavras de ordem, cartazes e bandeiras fizeram parte da Marcha pela Imigração em Washington D.C. no domingo (21). Milhares de manifestantes vindos de diversos estados americanos estiveram presentes. A delegação de Danbury, Connecticut, composta de aproximadamente 50 pessoas, teve a presença de somente dois brasileiros.
De acordo com a Reform Immigration for America (RIFA, em inglês), organização que comandou o movimento, mais de 200 mil pessoas marcharam na capital americana. Tennessee, Ohio, Texas, Michigan, Flórida, Vermont, Rhode Island, West Virginia e Pensilvânia eram alguns dos estados presentes. Segundo Rudolph Sanchez, do grupo de Danbury, o estado de Nova York tinha provavelmente uma das maiores delegações.
Os termômetros marcavam cerca de 24 graus centígrados em Washington. O clima abafado não impediu que estudantes, crianças e até mesmo americanos fossem prestar apoio. Em frente ao Capitólio, um grupo de anti-imigrantes fazia um protesto em separado. Enquanto os manifestantes se dirigiam ao Washington Mall, um americano disse “fale inglês ou volte para casa”, contrastando com buzinas demonstrando apoio.
“Saia do meu país, não terá nenhum benefício de saúde para você”, disse uma americana, chamada de racista por um afro-americano. Embora o presidente Obama tenha declarado que não haverá saúde de graça para os imigrantes, muitos americanos ainda estão desinformados.
Gritos de “si se puede” e “yes we can” (sim nós podemos) ecoavam em meio às bandeiras americanas e de outros países. Vindo da Filadélfia, um grupo carregava uma colorida faixa exaltando a diversidade.
No início da tarde, a área próxima ao palco, onde vários ativistas discursaram, estava lotada. Quem não conseguiu chegar perto tratou de fazer seu protesto isoladamente. Como a Reform Immigration for Texas Alliance. “Obama, escuta, te fizemos presidente. Agora queremos que nos faça residentes”. Com um certo sentimento de traição, os imigrantes se referiam ao voto latino, tão significativo para a vitória do atual presidente. A mesma coisa sentiu um imigrante hispânico, vindo de Detroit.
Decepção e luta
Não faltou alusão ao movimento de direitos civis, comandado por Martin Luther King Jr. Com um cartaz do líder, um membro da Igreja Metodista de New Orleans comparou o sonho de Luther King com o sonho de legalização dos imigrantes. Enquanto isso, balões coloridos se misturavam a apitaços e batucadas.
Ernesto de Oliveira, um dos brasileiros de Danbury, foi para lutar pelos direitos dele e dos imigrantes em geral, e estava decepcionado com a pouca presença de conterrâneos. “As pessoas querem documento mas não querem lutar por ele”, disse o mineiro. “Já estava na hora de fazer uma manifestação destas. Penso que vai dar resultado”.
Moradora de Bethel, mas totalmente envolvida com a comunidade local, Rosalina Tipton considerou a marcha um momento histórico. “Acho que muitas pessoas que também já tem seus documentos deveriam estar aqui hoje para ajudar a representar a comunidade brasileira nos Estados Unidos”, declarou ela, que tem cidadania americana.
Lynn Taborsak, americana que ajudou a organizar o grupo de Danbury, tem esperanças de que a grande marcha acorde o congresso para a questão imigratória. Depois do grande dia, ela espera que as pessoas contatem os políticos, para que o assunto não caia no esquecimento.
Barulho e compreensão
Para protestar, valeu até panelaço. Vinda de New Haven, Gabriela Pinto disse que se sentia afetada, por isso se juntou ao movimento. Munido de um instrumento de percussão, o companheiro Hugo falou da necessidade de luta, mesmo por parte do imigrante documentado. Os protestos isolados se misturavam aos assobios e ovações dos manifestantes, cada vez que escutavam palavras de garra e luta, emitidas pelos oradores.
Através de um vídeo, Barack Obama mandou uma mensagem de esperança e otimismo. “Prometo tudo que estiver em meu poder para formar um consenso bipartidário este ano nesta importante questão”, disse o presidente.
Como acontece em todos os grandes movimentos deste gênero, americanos se engajaram na luta. Natural da Califórnia e com sangue mexicano e anglosaxão nas veias, Wanda Guthrid disse que estar no local era a coisa certa a fazer. “Somos todos imigrantes”, disse ela, que já morou em Angra dos Reis (RJ) e apoia totalmente a legalização dos milhões de indocumentados.