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Mais um estudo sugere que a legalização ajudaria a colocar fim aos tempos de crise econômica nos Estados Unidos. Segundo o autor do relatório, o professor Raúl Hinojosa-Ojeda, da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), regularizar a situação dos imigrantes significaria adicionar trilhões de dólares ao produto interno bruto do país.
Segundo matéria publicada no Los Angeles Times, o estudo foi divulgado na quinta-feira (7). De acordo com o relatório, a legalização dos estimados 12 milhões de imigrantes ajudaria a criar novos empregos, aumentaria os salários e geraria mais renda. Ainda segundo o documento, uma reforma imigratória adicionaria estimados $1.5 trilhões ao produto interno bruto americano, pelos próximos 10 anos.
O professor Hinojosa-Ojeda, que trabalha no Departamento de Estudos de Chicana e Chicano, justifica a tese. Segundo ele, não se trata de trazer mais trabalhadores ao país, e sim de enxergar que os imigrantes contribuirão mais com a economia, ao invés de permanecer nas sombras.
O estudo se baseou em parte nas pesquisas realizadas após 1986, quando uma lei permitiu a legalização de quase 3 milhões de imigrantes indocumentados. Segundo as pesquisas da época, quem se legalizou conseguiu empregos com melhores salários e prosseguiu os estudos, resultando em mais gastos e no aumento da receita fiscal. Segundo o professor, a legislação de 1986 foi aprovada em meio a uma situação econômica similar à que se vive hoje nos Estados Unidos.
A pesquisa foi divulgada pelas organizações de direitos civis Immigration Policy Center e Center for American Progress, ambas com base em Washington D.C. Coincidência ou não, o estudo ficará conhecido logo depois que a administração Obama confirmou o compromisso em aprovar umal reforma imigratória ainda este ano.
Imigração e economia caminham lado a lado
Para reforçar ainda mais a tese, o professor disse que a economia se beneficiaria do programa do trabalhador temporário, o qual segundo ele, conseguiria aumentar o produto interno bruto (PIB) em $792 bilhões. Ainda segundo Hinojosa-Ojeda, uma deportação em massa reduziria o PIB americano para aproximadamente $2.6 trilhões nos próximos 10 anos.
Para os defensores da causa imigrante, ligar diretamente a economia à reforma imigratória soa como um contra-senso. Mas para o autor do relatório, economia e imigração tem uma forte conexão.
“Não se pode construir uma economia forte e robusta sobre um sistema imigratório quebrado. Na verdade, arrumar este sistema fará com que nossa economia fique mais forte e robusta”, afirmou Angela Kelley, vice-presidente de política imigratória do Center for American Progress.
Apesar de todos os argumentos, o professor Hinojosa-Ojeda já esbarrou com um forte opositor. De acordo com a porta-voz da organização anti-imigrante Federation for American Immigration Reform (FAIR), Ira Mehlman, o status legal não impediria que os imigrantes continuassem a ganhar baixos salários. Isto significaria, ainda segundo o porta-voz, pouca diferença na economia, pois os imigrantes não estariam contribuindo tão significativamente em termos de renda fiscal para o país.
Ainda segundo Mehlman, a legalização provocaria uma corrida desenfreada ao mercado de trabalho, fazendo com que os salários diminuíssem ao invés de aumentar. Na opinião do porta-voz, quem apoia a anistia sabe que será um caminho árduo, por causa da atual economia. “Estão tentando pintar o quadro como um tiro econômico no braço. Mas não tenho certeza de que os americanos ficarão convencidos”, disse ele.