As constantes perseguições sofridas por um imigrante no país de origem levaram-no a pedir asilo nos Estados Unidos. Agora, o homossexual Augusto Pereira de Souza, 27, pode respirar aliviado e viver uma vida tranquila. O asilo foi concedido neste mês de fevereiro pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, em inglês).
Augusto vivia uma situação descrita por ele próprio como “vida ou morte” no Brasil. Numa declaração à imprensa, divulgada pela Faculdade de Direito de Columbia, o imigrante desabafou. “No Brasil eu temia constantemente pela minha vida. Tentava esconder que eu era gay, mas ainda assim me batiam repetidas vezes, era atacado e tinha a vida ameaçada porque eu era gay”, disse.
De acordo com o brasileiro, a situação não melhorava com a presença da polícia. “Às vezes eu era atacado por skinheads e surrado brutalmente por tiras. Depois que os tiras te atacam e ameaçam a sua vida, por ser gay, você aprende rápido que ninguém vai protegê-lo”.
Preconceito
De acordo com o Grupo Gay da Bahia Gays,Lésbicas, Bissexuais e Travestis (GLBT), 2998 assassinatos de homossexuais foram registrados no Brasil, entre os anos de 1980 e 2009. Ainda segundo o grupo, mais de 190 homossexuais foram mortos somente em 2008. O número pode ser ainda maior, se considerado que muitas mortes não são denunciadas.
O caso de Augusto começou em setembro último. Três estudantes da Clínica de Sexualidade e Gênero da Faculdade de Direito de Columbia ajudaram o brasileiro a solicitar o processo de asilo, no referente às questões legais. Para Rena Stern, uma das estudantes, ataques e assassinatos com cunho em orientação sexual parecem estar em alta em nosso país. “A história dele [Augusto] não é, infelizmente, incomum para um gay no Brasil”, disse ela.
Feliz e com uma indescritível sensação de liberdade, Augusto agora pretende fixar residência em Newark, no estado de New Jersey.