As férias de uma semana da família Obama na ilha de Martha’s Vineyard, em Massachusetts, poderia ter tudo para dar um ar mais descontraído ao local. Ao contrário, a tensão se instalou quando residentes demonstraram desejo de ver o presidente abordar o assunto imigração.
Milhares de imigrantes indocumentados vivem e trabalham no local, em funções que variam de lavadores de pratos a jardineiros. A maioria destes trabalhadores são brasileiros. O presidente americano quer mesmo descansar, e não estaria a par da presença de tantos imigrantes indocumentados na ilha.
Até mesmo o editorial do Martha’s Vineyard Times foi irônico, dizendo que não havia muito a cobrir a respeito das férias do presidente. Em outras palavras, o jornal chamou a atenção, de forma sarcástica, para o fato de que há uma conexão ‘especial’ entre os habitantes da ilha, leia-se imigrantes.
Esta reação nada mais é do que o reflexo de um grave acidente automobilístico ocorrido no ano passado, envolvendo um brasileiro sem carteira de motorista. Francellyo Dias bateu no carro da americana Brandy Gibson, de apenas 20 anos de idade. Com a morte dela os ânimos se acirraram dentro da comunidade, gerando comentários repugnantes nos jornais locais.
Opiniões divididas
Um leitor anônimo chegou a dizer que era hora dos brasileiros irem embora, e questionou se as próximas vítimas seriam crianças dentro de uma van. Por outro lado, o leitor Jon Parkinson contestou a velha afirmação de que os imigrantes indocumentados, incluídos os brasileiros, estariam tirando o emprego dos americanos.
Quando as investigações do acidente revelaram que a norte-americana Gibson dirigia a 82 milhas por hora, numa área onde a velocidade máxima permitida é de 35 milhas por hora, as reações negativas deram uma trégua. O brasileiro dirigia a 9 milhas por hora quando ocorreu a tragédia.
O editorial da Vineyard Gazette condenou os ataques aos brasileiros. “Não há dúvidas de que o Senhor Dias não deveria dirigir naquela noite. Mas não há lugar para o ódio espalhado contra os brasileiros nas duas últimas semanas”, disse o editorial.
Quando as férias presidenciais acabarem, Obama enfrentará uma lotada agenda em Washington, onde se debate a reforma da energia e da saúde. Enquanto isso, os cerca de 12 milhões de imigrantes indocumentados aguardam ansiosos pelo ano que vem, quando a reforma da imigração deve começar a dar os primeiros sinais.