Na fachada, Marco e Rosa Braga aderiram ao sonho Americano: churrascos nos finais de semana e viagens para pescar, uma casa decorada por pés de manga. Então porque este casal de brasileiros de Boca Raton estaria pedindo ao governo para ser deportado? “Comecei a ficar com medo quando as pessoas me pedem ID”, disse Rosa Braga, cujo visto de turista expirou há anos. “Queremos viver conforme as leis”. Num ato incomum, os Braga, ambos imigrantes brasileiros indocumentados, querem entrar com um processo de deportação, assim podem solicitar o perdão para um juiz – e permissão para ficar nos Estados Unidos. É uma proposta arriscada, mas como muitos que estão no país sem autorização, eles estão cada vez mais ansiosos para legalizar a sua situação, principalmente por temer que a pátria que eles adotaram esteja se tornando hostil com os imigrantes indocumentados. Como outros, eles viram políticos na televisão pedindo controles mais rígidos na imigração, e que apóiam a lei, assinada pelo presidente Bush no dia 26 de outubro, autorizando a construção de um muro de 700 milhas na fronteira com o México. Muitos indocumentados da Flórida também viram suas carteiras de motorista expirar, sob uma lei estadual que não permite a renovação. E viram a lei do Senado, que previa a legalização de cerca de 8 milhões de pessoas, estagnar. “O debate está esquentando e se tornou muito anti-imigrante”, disse Olga Rojas, da American Immigration Lawyers Association. “Tenho um cliente que me disse, ‘Estou simplesmente farto de ter medo’”. Depois de três tentativas fracassadas para obter os vistos de trabalho, e sem parentes próximos nos Estados Unidos para patrociná-los na obtenção do green card, os Braga vêem agora a deportação como sua única chance de sair das sombras. Eles estão seguindo o caminho do Immigration and Nationality Act que permite a um juiz conferir status legal para os deportados, se eles provarem que sua mudança para o país de origem possa causar “danos excepcionais e dificuldades extremas” para seus filhos nascidos nos Estados Unidos. Os Braga têm quatro filhos nascidos no país, e moram em South Flórida há aproximadamente uma década. Marco Braga veio para os Estados Unidos há 20 anos, trabalhando inicialmente como chef na Universidade de Harvard, e evoluindo para a classe média como serviços gerais e pintor.
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