O brasileiro Allan Borges Menezes, 18, preso numa batida da imigração numa pizzaria na Califórnia há duas semanas, teve uma audiência no dia 19 último, junto com outros brasileiros. Sua permanência dependia muito da aprovação da lei de imigração. A juíza decidiu soltá-lo, sob o pagamento de fiança, mas os advogados disseram que a atual política de imigração dá poucas chances para que o brasileiro permaneça nos Estados Unidos. Um advogado do ICE (polícia de imigração) não gostou de ver Allan solto, alegando que ele representa um risco para o país. Mas a Juíza Bette Kane Stockton não concordou, optando pela liberdade mediante o pagamento de $5,000, enquanto Allan aguarda uma possível deportação. O brasileiro está recebendo ajuda de um pastor da igreja onde toca violão, em El Cerrito. A soltura de Allan é uma suspensão temporária, segundo Theodore Chen, seu advogado. O futuro do brasileiro estava praticamente nas mãos do Congresso, que poderia aprovar ou não o Dream Act, lei que faz parte da reforma de imigração, e que legalizaria os jovens que chegaram aos Estados Unidos antes de completar 16 anos. Para se beneficiar do Dream Act, os jovens imigrantes devem ter planos de prestar serviço militar ou de freqüentar uma faculdade, além de ter um passado completamente limpo. “Se o Dream Act fosse aprovado, ajudaria muito o Allan e muitas outras pessoas como ele. Ele quer estudar, isto é difícil no Brasil. Tudo o que ele quer é fazer uma faculdade”, disse Theodore Chen, complementando que será muito difícil para Allan viver no país que ele deixou, aos 12 anos de idade. Deportação voluntária e espera Fábio Ronan Barbosa, outro brasileiro preso durante a mesma batida, assinou a deportação voluntária, aceita pela Juíza Bette. Ele foi solto mediante pagamento de fiança e tem quatro meses para deixar o país. Também foram soltos e pagaram fiança Francisco Morales Machado e Luciano Alves dos Reis, que aguardam deportação. O caso de outro brasileiro, Marco Antonio Ferreira, foi adiado, até que ele contrate um advogado. A juíza deixou bem claro para todos os brasileiros que, caso não compareçam à Corte, as autoridades de imigração irão atrás deles. Além destes brasileiros, a imigração também prendeu o proprietário das pizzarias, Glênio Silva, 38, residente legal dos Estados Unidos. Ele pagou a fiança de $75,000 para ser solto e foi obrigado a entregar o seu passaporte. Glênio ainda corre o risco de pegar cinco anos de prisão.
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