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Governador de MA Deval Patrick conversa com aluna da escola pública sobre as dificuldades de entrar numa universidade sem ser documentada.
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A lei conhecida como in-state tuition, através da qual estudantes indocumentados pagariam o mesmo valor que os estudantes com documentos, voltou à pauta no estado de Massachusetts. Políticos que apoiam a medida continuam enfrentando a oposição de republicanos conservadores.
De acordo com o site wickedlocal.com, até mesmo as crianças que se tornaram órfãs devido ao terremoto que assolou o Haiti, no início do mês de janeiro, serviram de pretexto para aprovação da lei. Segundo os apoiadores, muitos haitianos vieram aos Estados Unidos em busca de abrigo.
A democrata de Boston, Marie St. Fleur, era uma das mais entusiasmadas, durante reunião realizada na quarta-feira (27) com o Comitê de Educação Superior. “Os pais deles estão mortos e eles estão tentando descobrir o que vai acontecer”, disse a política, sobre os órfãos que precisaram abandonar o Haiti.
Para se beneficiar do in-state tuition, o estudante precisa ter estudado no sistema escolar público de Massachusetts. Os estudantes, em sua maioria trazidos para os Estados Unidos ainda crianças, não teriam direito a auxílio financeiro para pagar os estudos, e precisariam apresentar um documento, comprovando a intenção de solicitar a cidadania americana.
O desejo de se tornar um cidadão americano está presente nos jovens estudantes indocumentados do país. Como a brasileira Renata, por exemplo. Sem documentos legais, ela não pode solicitar a cidadania atualmente, mas já declarou que confirmaria a intenção de se tornar cidadã, caso a lei mudasse.
Sonho distante
Além de acender uma esperança para a obtenção dos papéis, a aprovação do in-state tuition permitiria realizar o sonho da faculdade. Mario Rodas, nativo da Guatemala, sonha com um canudo. Mesmo com notas boas adquiridas durante a high school, o imigrante não pode frequentar os bancos acadêmicos por falta de condições financeiras. Nos Estados Unidos desde os 12 anos de idade, Mario ganhou asilo político e agora aguarda com ansiedade a chegada do green card.
O estudante só soube que não poderia ir para a faculdade quando já estava prestes a terminar o segundo grau. Informado pela professora de história que esbarraria no status imigratório, o morador de Chelsea desabafou. “Fiquei muito ansioso e comecei a pensar no meu futuro”, disse ele.
Os opositores não se conformam com o fato de estudantes indocumentados pagarem a mesma quantia que cidadãos americanos. Para eles, o in-state tuition estaria tirando o lugar dos estudantes nativos, além de colocar em risco os recursos estaduais. “Como é justo ... [dar aos imigrantes indocumentados] uma vantagem que nossos cidadãos podem não ter?”, questionou o republicano Don Humason, de Westfield.
Mas ainda existe esperança para os estudantes indocumentados.
Faculdades estaduais de Massachusetts se mostraram dispostas a matricular imigrantes, caso o in-state tuition seja aprovado. Apoiadores da lei lembraram que o Texas, Kansas, Nebraska e Utah já adotaram medidas semelhantes. Segundo a democrata Chang-Diaz, até mesmo o ex-governador do Arkansas, o republicano Mike Huckabee, e o colunista conservador do Boston Globe, Jeff Jacoby, apoiaram tais medidas.
Ainda com o entusiasmo característico, St. Fleur citou os ancestrais dela, dizendo que eles vieram aos Estados Unidos em busca de alimento.
Na opinião de Aaron Spencer, ex-membro da Diretoria de Educação Superior, ainda existe a visão errônea de que os imigrantes indocumentados são os que atravessaram a fronteira com o México, e que agora estão tentando entrar na faculdade. “Estamos falando das crianças. São pequenos que vieram para este país de mãos dadas com os pais deles”, disse.