O programa E-Verify, sistema eletrônico que detecta se um imigrante é autorizado a trabalhar nos Estados Unidos, pode não ser tão eficiente quanto parece. A constatação foi feita pelo grupo de pesquisas Westat.
Segundo reportagem do The Wall Street Journal, um entre dois trabalhadores checados pelo E-Verify pode ser um imigrante indocumentado, o que caracterizaria uma falha no sistema. Controverso e elogiado ao mesmo tempo, o E-Verify foi implantado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, em inglês), órgão ao qual o ICE (imigração) é subordinado.
Seja de forma voluntária ou por terem negócios com o governo, dezenas de milhares de companhias aderiram ao E-Verify, desde a sua implantação. O moderno sistema checa na Administração do Social Security e no DHS as informações fornecidas pelos trabalhadores. O objetivo é confirmar se eles tem residência permanente (green card) ou cidadania americana, o que automaticamente autoriza alguém a trabalhar no país.
Mas segundo o Westat, cuja pesquisa foi feita para o DHS, o E-Verify não é tão preciso assim. Em outras palavras, não há como saber se as informações fornecidas são mesmo dos trabalhadores. Segundo o Westat, imigrantes sem autorização para trabalho estariam cometendo fraudes de identificação, as quais o E-Verify não consegue detectar. De acordo com o grupo de pesquisas, a falta de precisão do sistema estaria na taxa de aproximadamente 54%.
Antes desta constatação, o sistema já havia sofrido duras críticas por não autorizar a trabalhar quem realmente tem a permissão legal para fazê-lo. Segundo um porta-voz dos Serviços de Imigração e Cidadania Americanos (USCIS, na sigla em inglês), já estão sendo realizadas melhorias no programa. Isto inclui, ainda de acordo com o porta-voz, mais bancos de dados, uma verificação mais apurada das fotos e um ramo de acompanhamento e monitoramento para detectar fraudes.
Resultados controversos
Segundo o secretário substituto de imprensa do USCIS, Bill Wright, o relatório do Westat mostra que a precisão do E-Verify continua melhorando. “Com a maioria dos casos automaticamente encontrados sendo de trabalhadores autorizados”, disse ele. Ainda conforme o secretário, a avaliação do E-Verify checou com precisão 96% dos trabalhadores. Destes, 93,1% eram casos de pessoas autorizadas a trabalhar no país, contra somente 2,9% sem autorização.
A taxa de 3,3% indicou que trabalhadores indocumentados foram confundidos com trabalhadores legais. O número de 0,7% englobou pessoas com autorização para trabalhar no país, mas que não foram inicialmente identificadas como tal.
A Westat não teceu comentários a respeito. Localizada em Rockville, Maryland, a companhia presta serviços para o governo federal. O relatório da pesquisa foi divulgado em dezembro último. Apesar de estar disponível no website oficial do USCIS, o documento não recebeu muita atenção pública.
Os políticos do Partido Republicano querem expandir o programa. Para isso, estudam formas de incluir o E-Verify em novas propostas de criação de empregos. O programa foi instituído durante a administração Bush e continua ganhando o apoio do presidente Obama. Assim, uma eventual campanha para legalizar os milhões de imigrantes indocumentados não seria tão criticada, porque todos veriam que as duras leis de imigração ainda estão sendo cumpridas.