Quando assinou a lei de imigração do Arizona, a governadora Jan Brewer sustentou que estava tentando proteger os cidadãos americanos. Mas Tim Padgett, colunista da Time Magazine, discorda, e tem números para provar que a fronteira tida como perigosa é, na realidade, um dos lugares mais seguros dos Estados Unidos.
Na coluna publicada na sexta-feira (30), Padgett declarou que a juíza federal Susan Bolton poderia ter dito que a lei é desnecessária. Brewer se baseou sobretudo no argumento de que a fronteira do Arizona com o México teria se tornado violenta, devido à imigração ilegal. Apesar de todos os assassinatos, o lado americano, que compreende de San Diego (CA) até Brownsville (TX), é um dos mais seguros do país, segundo o colunista.
Segundo Padgett, o FBI (polícia federal americana) declarou que as quatro grandes cidades americanas – San Diego, Fênix, El Paso e Austin – com populações de no mínimo 500 mil habitantes, possuem as taxas de criminalidade mais baixas. Todas elas estão localizadas na fronteira. “A fronteira está mais segura agora do que nunca”, afirmou no mês de junho Lloyd Easterling, porta-voz da Agência de Alfândegas e Proteção a Fronteira.
Larry Dever, xerife do Condado de Cochise no Arizona, declarou que “não temos visto o [crime violento] que está acontecendo do outro lado.
Ainda segundo o colunista, a taxa de criminalidade do Arizona caiu em 12% no ano passado. Na área metropolitana de Fênix, a capital, crimes violentos como estupro, assassinato, agressão e roubo, diminuíram em 17% em 2009. Nos últimos dois anos, Nogales, cidade que faz fronteira com o México, não registrou nenhum assassinato. O detalhe é que o local é repleto de imigrantes indocumentados e de tráfico de drogas.
Medo exagerado
El Paso (TX), pode ser um bom exemplo. Cidade irmã da violenta Ciudad Juárez, no México, a cidade americana registrou somente um assassinato, no ano passado, ao passo que a cidade mexicana teve quase 2.700 assassinatos no mesmo período. “Os cartéis mexicanos sabem que se tentarem cometer aquele tipo de violência aqui, serão parados”, afirmou o Xerife Richar Wiles, do Condado de El Paso.
“Quando se trata da fronteira, há uma verdadeira desconexão entre emoções e fatos. Muitos políticos estão explorando o medo de que os mexicanos estão vindo para nos matar”, disse Beto O’Rourke, vereador de El Paso. A afirmação do político vai ao encontro da opinião de Padgett: de que a lei SB 1070 foi baseada em temores sem fundamento.
Segundo o colunista, até mesmo o assassinato de Robert Krentz, proprietário de um rancho no Condado de Cochise, não justificaria tamanha preocupação com a violência na fronteira. As autoridades do Arizona acreditam que ele tenha sido morto por um imigrante indocumentado. Se isto for verdade, segundo Padgett, é a primeira vez em mais de dez anos que um imigrante mata alguém na região da fronteira mexicana com Tucson.
A conclusão tirada pelo colunista é de que a lei SB 1070, que tem como alvo os imigrantes indocumentados, ganhou mais a atenção de Washington do que se imagina. Segundo Padgett, o debate sobre o sistema quebrado de imigração americana pode ser mais perigoso do que as cidades americanas situadas na fronteira.