Um estudo publicado pelo Pew Hispanic Center de Washington D.C. na quarta-feira (1) revela que o número de imigrantes indocumentados nos Estados Unidos caiu em duas décadas. Apesar disso, não há êxodos em massa para os países de origem, de acordo com o documento.
De acordo com matéria do The New York Times, o estudo constatou que de 2007 a 2009, o número de imigrantes indocumentados caiu de 12 milhões para 11,1 milhões. Segundo o relatório, a redução aconteceu entre imigrantes de países da América Latina, não incluído o México. No mesmo período, não houve uma mudança significativa no número de mexicanos indocumentados no país, ainda conforme o estudo.
O relatório não consegue explicar porque a queda ocorreu entre os imigrantes da América do Sul, Central e Caribe, mas afirma que foram estes imigrantes os que mais voltaram para casa. Segundo demógrafos, estes imigrantes são provavelmente de primeira geração, com menos dinheiro e uma rede de relacionamentos menor nos Estados Unidos. Além disso, a experiência deles é bem menor do que a adquirida pelos mexicanos durante a perigosa travessia pela fronteira, ainda de acordo com os demógrafos.
Segundo o Pew Center, os mexicanos compõem a maior população de imigrantes indocumentados no país: são cerca de 7 milhões, o que significa aproximadamente 60%. O relatório é de autoria de Jeffrey S. Passel, demógrafo sênior e D’Vera Cohn, escritora sênior. Segundo o relatório, a redução de no mínimo 900 mil imigrantes indocumentados no país ocorreu devido à recessão, que já dura mais de um ano, e à intensificação das leis de imigração na fronteira sul e em locais de trabalho espalhados pelo país.
Porém, o dado mais surpreendente do relatório é que os estimados 11 milhões de imigrantes indocumentados permanecem nos Estados Unidos. Mesmo com todas as pressões e dificuldades, não houve êxodo em massa para o país de origem, especialmente o México. Segundo demógrafos mexicanos e americanos, o fluxo de mexicanos vindo de forma ilegal para os Estados Unidos em busca de trabalho diminuiu significativamente.
Imigrantes persistem no país
O relatório diz ainda que o estado do Arizona, que atualmente está no centro do debate da imigração, não foi o que apresentou a maior diminuição de imigrantes indocumentados, no período de 2007 a 2009. Os maiores declínios aconteceram na Flórida, Virginia e Nevada. Os três estados viram a ascensão e queda na indústria da construção, área que atrai inúmeros imigrantes indocumentados.
Segundo outros pesquisadores, o estudo do Pew Hispanic Center, organização sem fins partidários nas questões imigratórias, bate com as estimativas do Departamento de Segurança Interna (DHS) e com dados da agência de recenseamento mexicana. Segundo a economista sênior do Banco Central de Dallas, Pia M. Orrenius, de 2006 a 2009 ocorreu um declínio de 67% no fluxo de migrantes para os Estados Unidos, ao mesmo tempo que não houve aumento de mexicanos voltando para casa.
“Estão com a vida resolvida por aqui. É preciso mais do que um ciclo de negócios para que eles voltem para o México”, disse Pia. Ainda segundo a economista, o alvo dos agentes federais é a fronteira, a fim de parar o fluxo de imigrantes.
Ainda segundo o estudo do Pew Hispanic Center, a população de imigrantes indocumentados caiu muito, depois de anos de rápido crescimento. Haviam 8,4 milhões de imigrantes indocumentados no país, em 2000. Em 2009, 28% dos 39,4 milhões de estrangeiros vivendo nos Estados Unidos eram imigrantes indocumentados. O restante tinha cidadania americana ou estava em situação regular no país.