Cerca de 40 crianças caminharam por quase uma hora sob um intenso frio, na última sexta-feira, pelas ruas de Washington, até chegar à Casa Branca para tentar, sem êxito, entregá-las ao presidente George W. Bush, nas quais pedem que seus pais, imigrantes clandestinos, não sejam deportados. “Querido presidente Bush. A razão pela qual lhe escrevo essa carta é porque estou tentando convencê-lo a não deportar minha mãe para o México”, escreve de próprio punho o menino Elton Pérez, em uma das cartas que os organizadores da marcha entregaram à imprensa em frente à Casa Branca. A quatro dias das eleições legislativas nos Estados Unidos, que têm a imigração como um de seus temas centrais de campanha, as crianças, todas cidadãs americanas, caminharam de uma igreja metodista próxima ao Congresso até a Casa Branca, por mais de 45 minutos, com cartazes nos quais pediam, em inglês e espanhol, “não levem meu papai ou minha mamãe”. O pequeno contingente, acompanhado por adultos, era liderado por Saúl Arellano, de sete anos, cuja mãe Elvira está refugiada há três meses em um templo metodista de Chicago para tentar evitar que as autoridades americanas a mandem de volta para o México. A marcha alcançou o portão frontal da Casa Branca no final da tarde. Saúl Arellano e a pequena Luz Zapata tocaram a campainha da grande mansão presidencial, sob uma chuva de flashes da imprensa. Depois de alguns minutos de espera, porém, ninguém respondeu. Os organizadores da marcha disseram que estava previsto que algum funcionário da Casa Branca sairia para receber as cartas, o que não pôde ser confirmado até o fechamento desta edição.
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