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Reprodução NYT
O policial David Salgado chega na Corte em Phoenix. Ele está contestando a sua participação na aplicação da lei de imigração.
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A controversa lei do Arizona gerou mais um processo. Desta vez é o policial David Salgado, um veterano de 19 anos de serviço, quem questiona a SB 1070. Por ironia, ele corre o risco de ser processado, caso não aplique a lei.
De acordo com o Wall Street Journal, a audiência com David Salgado é a primeira de uma série de processos contra o estado. Assinada em 23 de abril último pela governadora Jan Brewer, a lei exige verificação do status imigratório da pessoa que for abordada por outra razão. Se houver “suspeita razoável” de que o imigrante é indocumentado, ele é preso. A SB 1070 prega que é crime estar sem documentos legais no país.
Os residentes do Arizona, por sua vez, também tem o direito de processar um policial, se este não estiver cumprindo com a lei. “Se ele aplicar a lei, pode ser processado. Se não aplicar a lei, pode ser processado”, disse o advogado de David, Stephen Montoya.
O grupo Chicanos Por La Causa também entrou com uma ação legal contra o Arizona. Segundo os advogados da governadora, tanto o processo contra o policial quanto o do Chicanos deveriam ser ignorados, visto que ambos não apresentam um dano imediato. Enquanto a audiência de Salgado acontecia, cerca de 50 pessoas protestavam contra e a favor da lei, do lado de fora da corte. A polícia manteve os grupos separados.
A lei que torna crime estar indocumentado no país entrará em vigor no próximo dia 29, caso as ações judiciais não sejam consideradas. A audiência referente ao processo do Departamento de Justiça Americano, ordenado pelo presidente Barack Obama, deve acontecer ainda esta semana.
Xerifes se defendem
Até agora, são seis ações legais contra a lei SB 1070. Uma delas é do policial Martin Escobar, responsável por patrulhar uma área de Tucson com grande população hispânica. Segundo o policial, a aplicação da lei pode colocar em xeque a cooperação de testemunhas latinas, as quais são consideradas cruciais para resolver crimes.
Dois xerifes de condados do Arizona anunciaram a criação de um fundo legal para levantar recursos, a fim de defender a eles e os policiais contra ações legais. Em reunião realizada em maio com o Procurador Geral Eric Holder, chefes de polícia de grandes cidades como Filadélfia, Los Angeles, Houston e Fênix demonstraram preocupação com a lei, alegando que ela comprometeria a segurança pública e geraria desconfiança da polícia por parte da comunidade imigrante.
Em contrapartida, xerifes e policiais do Arizona aplaudem a lei, dizendo que é uma ferramenta a mais no combate à imigração ilegal. Paul Babeu, Xerife do Condado de Pinal, disse que confia no profissionalismo de seus homens, no tocante a prender alguém sem base no perfil racial.
Policiais comandados por Babeu e pelo Xerife Larry Dever, do Condado de Cochise, constam no processo da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). “As pessoas formarão filas para nos processar por racial profiling. É um insulto para os policiais que sabem operar de acordo com os parâmetros”.