O diálogo com a comunidade brasileira, realizado na prefeitura de Framingham, Massachusetts, no dia 18 último, superou as expectativas. As autoridades federais e estaduais mostraram-se felizes com a presença dos imigrantes brasileiros. A presença de anti-imigrantes não impediu a realização do encontro, que recebeu grande apoio de Josephine Carabello, conciliadora junto ao Departamento de Justiça. Na entrada do prédio, os irmãos Jim e Joe Rizoli, fundadores do grupo anti-imigrante CCFILE, seguravam cartazes e filmavam os imigrantes brasileiros. Jim chegou a dizer que Framingham é a capital da fraude de documentos, demonstrando indignação com o apoio que a polícia de Framingham deu à realização do encontro. “É como dizer a um ladrão de bancos ‘vá em frente’”, declarou Jim. Apesar disto, não houve registro de incidentes. Cerca de 500 pessoas, entre autoridades americanas e brasileiros compareceram ao encontro. “O governo federal ficou contente com a resposta da comunidade”, destacou Carlos A.F. Silva, um dos organizadores da reunião com brasileiros, Departamento de Justiça Americano e polícia de Framingham. Sugestão e procura pelo consulado Os presentes falaram sobre a carteira de motorista para os imigrantes. “Foi até sugerida a carteira de identidade para os indocumentados, a exemplo de New Haven”, disse Carlos. Os assuntos debatidos foram encaminhados aos órgãos competentes. “A questão das carteiras de motorista, por exemplo, será encaminhada ao estado”. A presença de Mário Saade, cônsul geral do Brasil em Boston, também foi fundamental. “ Os brasileiros nos procuram, trazem problemas com a imigração, polícia, até problemas conjugais, porque acreditam que o consulado possa resolver todos os problemas”, disse o cônsul, confirmando que os brasileiros se sentem melhor em procurar o consulado, do que a própria polícia. Presença dos brasileiros é elogiada pela polícia Ilton Lisboa, membro ativo da comunidade brasileira, destacou a importância da presença dos brasileiros. “Eles vieram e falaram sobre suas preocupações”. Mesmo com a presença da polícia local, os brasileiros se sentiram à vontade para falar sobre o tratamento de alguns policiais, acesso à saúde pública e até frustração com a política de imigração. O Tenente Paul Shastany, da polícia local, disse que para alguns brasileiros, deve ter sido muito difícil estar presente, referindo-se ao medo, devido à presença da polícia. “Vir e fazer o que eles fizeram, acho que foi um triunfo”.
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